Nova Ferroeste terá leilão e trecho de MS ficará pronto até 2030 - Caarapó Online

CAARAPÓ - MS, sábado, 13 de agosto de 2022


Nova Ferroeste terá leilão e trecho de MS ficará pronto até 2030

Nova Ferroeste terá leilão concluído na última semana de setembro ou na primeira semana de outubro, com as obras iniciando em janeiro de 2023

Publicado em: 26/06/2022 às 06h28

Semagro

A Nova Ferroeste, ferrovia que vai interligar os Estados de Mato Grosso do Sul, Paraná e Santa Catarina, teve edital lançado na última terça-feira (21.06), e ficará aberto para análise até 15 de julho. Após este período, será iniciada a fase de preparação para o leilão, que, segundo o governador do Paraná, Ratinho Junior, será realizado entre o fim de setembro e início de outubro na B3 (Bolsa, Brasil, Balcão), em São Paulo. Com a conclusão do leilão, as obras se iniciam em janeiro de 2023.

A previsão de investimentos até o momento, já incluindo o trecho até Chapecó — no oeste de Santa Catarina — é de R$ 35,8 bilhões, dos quais R$ 4,7 bilhões serão destinados ao Mato Grosso do Sul. O secretário Jaime Verruck, titular da Semagro (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar), esteve em Curitiba (PR) esta semana e acompanhou o lançamento do edital, mas foi o governador paranaense Ratinho Junior que soltou verbo em direção a Mato Grosso do Sul, ao afirmar que o trecho de cerca de 350 km de trilhos — em terras sul-mato-grossenses — também ficará pronto na primeira parte da obra, que deve ser finalizada entre 2029 e 2030, caso tudo se inicie em janeiro de 2023.

Amparado por dados técnicos e logísticos, o secretário Jaime Verruck distribuiu uma série de informações sobre o que potencializa Mato Grosso do Sul a estar na primeira fase da obra. De acordo com Verruck, 40% da produção de grãos do Estado já escoam pelo porto de Paranaguá. O secretário disse, ainda, que a cada 100 vagões de trem abarrotados de milho e farelo de soja, um total de 357 caminhões deixariam de circular pelas BRs. Além disso, Verruck cravou que o transporte ferroviário iria diminuir os custos logísticos em pelo menos 30%, permitindo ao produtor rural sul-mato-grossense ter uma boa margem de negociação, sem ser ofuscado — ou engolido — pelos atuais custos de óleo diesel pelo modal rodoviário.

Munido de informações baseadas em uma série de estudos técnicos, Jaime Verruck explicou que a área plantada de soja vai aumentar em um milhão de hectares, saltando de 4 para 5 milhões, com o milho representando de 50% a 70% deste total e que os novos trechos a serem plantados são, na realidade, compostos por áreas degradadas por um antigo e descartado modelo pecuarista extensivo. “Isso mostra o potencial sustentável deste projeto imenso”, disse o secretário. Hoje, caminhões percorrem cerca de 1.200 km de Dourados(MS) até o Porto de Paranaguá(PR) para realizar o escoamento da produção de grãos.

Outro ponto detalhadamente comentado na abertura do edital da Nova Ferroeste está diretamente ligado ao Estado de Santa Catarina, com a construção de um ramal até o município de Chapecó. Isso faria com que o Estado de Mato Grosso do Sul alimentasse, de maneira mais rápida e eficiente, a indústria de frango e suínos com mais milho e farelo de soja para as duas pecuárias. Neste caso, Jaime Verruck já apresentou números e disse que este ano a produção de soja deve atingir 13 milhões de toneladas e a de milho outros 12 milhões. Em Mato Grosso do Sul, a Nova Ferroeste vai passar por oito municípios: Maracaju, Itaporã, Dourados, Caarapó, Amambai, Iguatemi, Eldorado e Mundo Novo.