Aulas voltam a ser 100% presenciais na rede pública de ensino do Distrito Federal - Caarapó Online

CAARAPÓ - MS, terça-feira, 7 de dezembro de 2021


Aulas voltam a ser 100% presenciais na rede pública de ensino do Distrito Federal

Secretaria de Educação determinou o retorno integral da rede pública de ensino.

Publicado em: 03/11/2021 às 09h22

Renata Nagashima

A partir de hoje, as 686 escolas da rede pública de ensino do Distrito Federal voltam a receber 100% dos alunos. A determinação partiu da Secretaria de Educação do DF, na última sexta-feira, e, agora, 460 mil estudantes devem voltar ao modelo de aulas presenciais, suspensas em março de 2020. O retorno gradual dos estudantes iniciou em julho, mas em regime híbrido, com o avanço da vacinação, o Governo do Distrito Federal vinha sinalizando com o retorno total das atividades.

Com as unidades de ensino operando regularmente, os cuidados continuam sendo indispensáveis e as escolas terão que seguir algumas regras, como o uso obrigatório de máscaras, mesmo nas aulas em áreas abertas. Além disso, a temperatura dos alunos e dos servidores será monitorada na entrada da escola e o acesso aos espaços comuns, como ginásios, bibliotecas, pátios e parquinhos, deve ser escalonado, assim como os horários das refeições, entrada e saída das escolas. O distanciamento de 1,5m entre os estudantes também é uma exigência.

Preparativos


Desde o início do retorno gradual, a Escola Classe 304 Norte vem se preparando para receber seus 320 alunos. Na entrada, cada série entra em um horário programado. Os três primeiros anos do ensino infantil entram e, depois de alguns minutos, os alunos do 4º e 5º ano podem entrar. Logo no primeiro portão é feita a higienização das mochilas e quando as crianças chegam no segundo portão têm a temperatura aferida. Elas recebem álcool em gel para higienizar as mãos e limpam as solas dos sapatos nos tapetes com sanitizante. Só após esse protocolo, os estudantes vão direto para a sala de aula.

Pias com sabonete e suportes com papel toalha foram instalados em todas as turmas e na entrada da escola. De um turno para o outro, todas as dependências do colégio são higienizadas. Como a escola não tem refeitório, o lanche será feito dentro da sala de aula, mas evitando aglomerações. Quem serve os alimentos é a professora e os alunos vão, um por vez, pegar a merenda. "Está demorando bem mais, mas é o que deu pra fazer no momento", diz Wilton Rodrigues, diretor da Escola Classe.


Desafios constantes


O diretor conta que está preocupado e apreensivo com o retorno imediato. "Fomos avisados do possível retorno na terça-feira, mas não sabíamos como seria. A portaria só foi publicada na sexta-feira, tendo que começar imediatamente após o feriado. Não tivemos como convocar equipe, fomos pegos de surpresa e agora vamos ver no que dá."

Ele afirma que a volta será um desafio, uma vez que a escola não tem capacidade para manter o distanciamento mínimo de 1,5 m entre os alunos. "A portaria exige que as aulas voltem e exigem o distanciamento, mas não é algo que podemos garantir com o tamanho das salas que temos hoje. A escola foi projetada em 1987 para uma quantidade de alunos que só aumentou. Não temos como colocar todos os alunos na sala respeitando esse distanciamento, mas vamos fazer o possível", reconhece.

Wilton diz estar preocupado, também, com os alunos que ficarão em casa e perderão as aulas. "Muitas famílias ainda estão receosas e as crianças vão perder aula, eu estou impossibilitado de fazer alguma coisa. Não vejo problema em voltar, mas tem que ser organizado. Podiam ter avisado com antecedência para a gente se preparar", acrescenta.

O médico infectologista Emerson Luz aponta que o momento é bom para o retorno, uma vez que as taxas de transmissão do DF estão baixas, em 0,76, e a vacinação está avançando cada vez mais. No entanto, é necessário seguir as regras e observar qualquer fator de risco. "Tem que ter regras contra aglomeração e usar máscaras conforme exigido e de forma correta. Professores, funcionários e alunos têm que ter uma educação continuada para reconhecer os sintomas, e saber como será feita a intervenção caso haja alguém sintomático", explica.