Ministra confirma que falta carregamento de fertilizantes para garantir a safrinha - Caarapó Online

CAARAPÓ - MS, terça-feira, 7 de dezembro de 2021


Ministra confirma que falta carregamento de fertilizantes para garantir a safrinha

Em Corumbá (MS), a ministra Tereza Cristina fez discurso pacifista e garantiu que governo federal está agindo

Publicado em: 27/10/2021 às 06h30

Rodolfo César

A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, reconheceu que a capacidade de fornecimento de fertilizantes para a safrinha está sob risco e ainda faltam entre 10% e 20% de produtos a serem disponibilizados no mercado para que não ocorra o desabastecimento.

Apesar dessa posição, ela foi enfática ao dizer que o governo federal já articula para garantir que material suficiente para as próximas safras. Se houver impacto na safrinha, a produção do milho é uma das mais afetadas. O grão é base de alimentação de suínos e aves e pode ocorrer efeito em cascata.

O próprio presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse em meados de outubro que o Brasil trabalha com um possível desabastecimento. O problema sobre a falta de defensivos e fertilizantes agrícolas para os produtores no Brasil foi também relatado no Congresso Nacional entre os dias 21 e 22 deste mês.

O assunto foi tratado em audiência pública na Câmara dos Deputados. Entre os críticos nessa audiência estavam a diretora do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal, Eliane Kay; Reginaldo Minaré, do Conselho Nacional da Agricultura (CNA) e o deputado federal Jerônimo Goergen (PP-RS).

Tereza Cristina ponderou que a formatação de um programa nacional de fertilizantes para o Brasil já ocorreu há um ano e existe uma comissão dentro do governo para deliberar medidas mais eficazes. Ela ainda afirmou que existem recursos disponíveis para driblar a definição da China sobre reduzir a produção por conta de pacto para redução da emissão de gases de efeito estufa. Os chineses são os principais produtores de fósforo amarelo, base de vários defensivos.

“Essa safra já está comprada, em Mato Grosso do Sul já temos mais de 60% plantado. Para esta safra, no Brasil, não é problema. Para a safrinha nós precisamos receber em torno de 10% a 20%. Estamos fazendo esse levantamento e providenciando para que não falte. O que estamos trabalhando é para acabar com essa insegurança para a próxima safra, 2021-2022”, afirmou.

Entre as alternativas apresentadas pela ministra está a discussão com o governo boliviano. O país vizinho, que faz divisa com Mato Grosso do Sul, inclusive por Corumbá, é produtor de fertilizantes. Ela destacou também que há tratativas sendo analidas com o Canadá, Rússia e Bielorrúsia. Apesar das propostas apresentadas, não existe negociações efetivas que foram relatadas.

“Nós podemos intensificar as tratativas com a Bolívia, mas estamos também conversando com Rússia, Canadá. Ontem(25.10) eu tive uma ótima notícia que o Canadá pode aumentar sua produção, mas ainda não temos números".

"A mensagem que temos para o produtor rural é que não vai faltar fertilizante, passamos por um problema pontual”, defendeu a ministra em Corumbá, durante lançamento do programa Resgate+. A Capital do Pantanal foi a primeira cidade no Brasil a ter um hospital de campanha para atender animais silvestres feridos pelos incêndios ou atropelamentos. No Congresso Nacional, durante audiência, as políticas praticadas ao longo de anos no governo federal foram criticadas por não serem proativas.

“No curto prazo já é difícil. E se errarmos, o médio e o longo também não vão acontecer. Isso não é de hoje. O Brasil tem uma característica. Não somos um país proativo, somos reativos. A gente corre atrás quando a coisa já está caindo. E a pandemia apurou uma série de processos que todos relataram aqui”, disse o deputado Jerônimo Goergen, no site da Câmara Federal.

Diretamente relacionada ao tema, Tereza Cristina afirmou em Corumbá, na terça-feira (26.10), que ela pode até viajar a outros países para garantir as negociações.

“Eu tenho a possibilidade de ir para a Rússia agora, em meados de novembro, e tratar do assunto. Temos ali a Bielorrussia, que atualmente sofre algumas sanções e que pode trabalhar as exportações para o Brasil. Estamos trabalhando todas as medidas para antecipar, se houver a falta, porque ainda não há”, antecipou a ministra.