Vítimas da chacota e desprezo mundial - Luís Roberto Barroso - Caarapó Online

CAARAPÓ - MS, quinta-feira, 20 de janeiro de 2022


Vítimas da chacota e desprezo mundial - Luís Roberto Barroso

“Insulto não é argumento. Ofensa não é coragem. A falta de compostura nos envergonha. Somos vítimas de chacota e desprezo mundial”, de LUÍS ROBERTO BARROSO (ministro do STF e presidente do TSE).

Publicado em: 13/09/2021 às 07h20

Giba UM

Quem não tem do que se queixar da manifestação e do recuo de Bolsonaro são os oito hotéis de São Paulo das imediações do ato, lotados. Boa parte estava ocupada por bolsonaristas de diversos estados brasileiros.

Mais: muitos por quais chegaram à capital paulista em caravanas e ônibus fretados. Nesses dias, carros com imagens de Bolsonaro ou adesivos com o nome do presidente entravam e saiam das garagens.

“Insulto não é argumento. Ofensa não é coragem. A falta de compostura nos envergonha. Somos vítimas de chacota e desprezo mundial”, de LUÍS ROBERTO BARROSO (ministro do STF e presidente do TSE).

Recuo necessário

33 Uma semana depois de tomar posse, o presidente Jair Bolsonaro há havia anunciado medidas que, nos dias seguintes, tratou de voltar atrás.

Hoje, seus seguidores estão mais do que decepcionados: depois de convocar milhares de adeptos para uma grande concentração contra o STF e ameaçando o país de estado de sítio, solta uma nota (redigida pelo ex-presidente Michel Temer, que parece acreditar em Bolsonaro) e diz que tudo não passou do “calor do momento”.

Os seguidores sentem-se traídos: ele conversa pelo telefone com Alexandre de Moraes a que chamara um dia antes de “canalha”. Desta vez, o presidente não podia fazer outra coisa: ele estava com medo de ser preso. Não é difícil saber por que Bolsonaro chamou o ex-presidente Michel Temer ao Planalto.

Sabia das relações de amizade que sempre existiram entre o ministro Alexandre de Moraes e ele (Temer o indicou para o STF). Cabia ao ex-presidente consertar as barbaridades cometidas e Temer não vacilou: colocou Alexandre no telefone com Bolsonaro e escreveu a nota que foi divulgada onde, aliás, elogiava o mesmo Alexandre, que atendeu pedido de Temer.

Ninguém conseguiria esse armistício – fake segundo muitos – a não ser o ex-presidente.

Militares apoiam

Nos últimos dias, entre a super manifestação em São Paulo e o recuo de Bolsonaro no dia seguinte, o que não se viu foi qualquer posição assumida pelos militares mais chegados do presidente: Braga Netto, ministro da Defesa e Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria-Geral do Governo.

Em São Paulo, enquanto Bolsonaro estimulava o fechamento do STF e a decretação ameaçada do estado de sitio, quem estava literalmente ao lado do presidente era o general Braga Netto. Não lhe disse que “estava indo longe demais”.

Sem nova tensão

Ao contrário dos analistas o ex-presidente Michel Temer acredita, que pelo menos por enquanto, Jair Bolsonaro irá se manter mais calmo e não deverá fazer novos ataques.

“Vi tanto entusiasmo nele, nas pessoas que se manifestaram e nas pessoas do governo, que eu não vejo risco de nova tensão, mas evidentemente não posso garantir o que vai acontecer lá na frente. Mas não creio, em recuo, é um documento escrito, não é uma fala verbal”.

Não vai mudar ainda

Os mais lúcidos apostam que Bolsonaro não vai mudar, como fez com Arthur Lira: prometeu que depois da votação que acabaria com sua campanha pró-voto impresso e no dia seguinte, já estava detonando o TSE.

Esses lúcidos acham que o recuo é encenado, que faz parte de uma estratégia política. Um dia, ataca o Supremo; no outro, jurou que “nunca teve intenção de agredir quaisquer um dos Poderes”. Segundo analistas, ele ateia fogo e depois, aparece de bombeiro. Se não é estratégia, é desequilíbrio.

ATRAPALHAM

A postura beligerante de Jair Bolsonaro, antes da nota de recuo, tem gerado incômodo em integrantes do Ministério da Economia. Para eles, que não acreditam que o presidente fique quieto por muito tempo, o mandatário atrapalha a retomada econômica.

Atritos criados com outros Poderes começam a ser interpretados de forma diferente. Nos últimos dias, agentes do mercado sinalizam que podem deixar de apoiar o governo – e sua política econômica.

Fogo interno

Augusto Aras tem sido criticado no próprio governo pela recente escolha de José de Lima Pereira como Procurador-Geral do Ministério Público do Trabalho (MPT).

O Planalto acha que ele já mostrou ser o nome errado – e na hora errada. Há dias, o novo chefe do MPT teria feito articulações junto a senadores para derrubada de pauta de interesse do governo (MP 1045). Depois da votação, Lima Pereira não escondeu de que lado jogou: elogiou publicamente o Senado por rejeitar a minirreforma trabalhista.

NÃO RECUA

Prisões, busca e bloqueio de contas autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes e cumpridas às vésperas do 7 de Setembro mostram que os atos convocados por Bolsonaro vão ocorrer no momento de maior tensão entre os Poderes.

As medidas indicam que as investigações que envolvem o presidente e seus apoiadores não dão sinais de retrocesso. Bolsonaro procura um caminho para um acordo e o STF, depois das falas de Luiz Fux e Luís Roberto Barroso não querem saber de nada disso.

Manifesto da FIESP

Os jornais estamparam duas páginas com o discutido manifesto da Fiesp, que fez Paulo Skaf recuar mediante intervenção de Arthur Lira, presidente da Câmara, que pensava – como o próprio chefe do Executivo – que seria um frontal ataque.

De um lado, palavras repetidas e sem nenhum fôlego sobre união dos Poderes e por aí vai; de outro, a relação – mais de 200 assinaturas – estampadas em letra miúda que não dá para ler e sem maiores repercussões.

Revoltado

Aliados de Bolsonaro não gostaram da atitude do presidente. Um dos mais revoltados não só com atitude de Bolsonaro, mas também de como foi feita foi o deputado Otoni de Paula (PCS-RJ), que não acredita que Bolsonaro pediu ajuda a Michel Temer e soltou o verbo: “A redação partiu de Michel Temer, responsável pela estadia do déspota Alexandre de Moraes numa cadeira do Supremo.

Sim, o presidente da República assinou nota do pai do déspota, de quem colocou o ditador da toga naquela cadeira”. Otoni ainda disse que não é “tempo de paz”. E completou: “Estão tentando transformar Bolsonaro em leão que ruge, mas vira gatinho”.

FOGO BOLIVIANO

Ibama monitora, com preocupação, o incêndio que está atingindo o lado boliviano da Floresta Amazônica, mais precisamente na região do Chaco. Os focos ainda estão a cerca de mil quilômetros do território brasileiro.

Os bolivianos, contudo têm encontrado dificuldades para conter as chamas, devido aos fortes ventos e ao período de seca na região. O Ibama já avalia a necessidade de reforço no efetivo de combate a incêndio nas fronteiras do Acre e de Rondônia com a Bolívia.

MISTURA FINA

BOLSONARO percebeu no dia seguinte que se excedera nos discursos de 7 de Setembro. Às 23 horas de quarta-feira (8) ligou para um dos poucos políticos que respeita: Michel Temer, sabendo de suas ligações pessoais com Alexandre de Moraes. Aí começou a nota de recuo. Na quinta (9) mandou um jatinho buscar Temer em São Paulo, convidando-o para almoçar. Temer chegou já com minuta da “declaração” pronta.

QUANDO telefonou a Temer na quarta-feira (8), Bolsonaro ouviu que era necessário “pacificar o país”. Após longa conversa com Temer, Bolsonaro pediu tempo para fazer alguma alteração na minuta que lhe foi entregue, mas quase não mexeu no texto. O texto também não foi submetido a ninguém mais, para não haver discussão sobre determinados itens. E ordenou: “Publique-se”.

O MINISTRO Rogério Marinho, do Desenvolvimento Regional, lançará em outubro, um plano de integração de microbacias no Nordeste, com o objetivo de melhorar a irrigação na região nesses tempos de seca. A solenidade do anúncio do projeto deverá ser em Alagoas, com direito à presença de Bolsonaro e do aliado Fernando Collor. O clã Calheiros fica de fora.

A PREVIC já sinalizou ao Postalis que vai dar sinal verde para a redução de benefícios dos associados. Os principais cortes deverão se concentrar no pagamento de pensões. É a cota de sacrifício dos integrantes do fundo de pensão dos Correios na tentativa de equacionar um déficit atuarial de R$ 7 bilhões.

MESMO arrasado com a morte de seu filho, Dudu Braga, o cantor Roberto Carlos realizou o último pedido feito por ele, dias antes do falecimento. Em uma das últimas conversas Dudu pediu ao pai que se alguma coisa acontecesse com ele (como se previsse algo)”gostaria de ir embora com uma camisa do Corinthians, uma roupa confortável e tênis”. E assim foi feito.

MAL anunciou sua saída da Globo, Tiago Leifert, que ficará até o final do ano, começa surgir uma lista de cotados para assumir as atrações comandadas por ele. Na lista de cotados para comandar o BBB está Marcos Mion, André Marques, Tadeu Schmidt e Ana Clara Lima. Já para o The Voice Brasil Márcio Garcia, Angélica, Xuxa e Fernanda Gentil.

AINDA Tiago Leifert: apesar de garantir em entrevista a Ana Maria Braga que por enquanto seu único plano é descansar, já existe especulações de que ele também estaria de mudança para Band. E dois motivos teriam levado a escolha: primeiro porque a emissora fica em São Paulo onde mora e não precisaria ir mais para o Rio, só em ocasiões especiais; segundo que o programa supostamente criado para ele teria sido feito por Fausto Silva.