Sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Patrocinando o Atlético-PR, Caixa Econômica adverte clube por ato pró-Bolsonaro

Patrocinadora do Atlético-PR, Caixa Econômica faz advertência ao clube por ato pró-Bolsonaro. Clube paranaense fez manifestação política em jogo contra o América

Publicado em: 02/12/2018 às 11h44


Patrocinadora master do Atlético-PR, a Caixa Econômica Federal (CEF) não aprovou a manifestação política do clube em apoio ao presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), antes da partida contra o América, válida pelo segundo turno do Campeonato Brasileiro, ainda durante a corrida eleitoral. O banco estatal confirmou à reportagem que não foi avisado sobre a situação e enviou uma advertência ao clube paranaense.

Em 6 de outubro, um dia antes da votação em primeiro turno e quando o processo eleitoral brasileiro estava em ebulição, os atletas do time rubro-negro utilizaram uma camisa com os dizeres "vamos todos juntos por amor ao Brasil", em referência a campanha de Bolsonaro durante a execução do Hino Nacional. Apenas o zagueiro Paulo André encobriu a camisa, utilizando um agasalho, para evitar demonstrar apoio ao então candidato à presidência.


A Fifa pede que clubes e federações sejam neutros, evitando manifestações políticas como a feita pelo Atlético-PR. Por essa razão, o Atlético-PR foi multado pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) em R$ 70 mil. A Caixa, por sua vez, informou que não foi comunicada previamente pelo clube sobre a ação e que não compactua com atitudes desta natureza.


No contrato de patrocínio, ao qual a reportagem teve acesso, estabelece-se que o clube deve procurar otimizar a exposição da marca, com os atletas e comissão técnica utilizando uniformes com o logotipo em todo os torneios e competições que disputar, e mesmo em entrevistas concedidas pelos atletas da equipe.


Além disso, trecho do documento diz que o Atlético-PR "deve zelar pela boa imagem dos patrocinadores, sem referências públicas de caráter negativo ou pejorativo". Caso essas regras sejam desrespeitadas, as punições previstas vão da advertência à multa de 1% no valor a ser recebido pelo clube mensalmente (R$ 110 mil).