Quinta-feira, 30 de junho de 2022

Estudantes da UNB terão que apresentar comprovante de vacinação

Desde o início das aulas, no dia 17 de janeiro, a apresentação do cartão de vacinas já era exigida nas entradas do Restaurante Universitário (RU) e da Biblioteca Central (BCE), no campus Darcy Ribeiro

Publicado em: 28/01/2022 às 08h13


Com 47 votos a favor e duas abstenções, a Universidade de Brasília (UnB) aprovou na manhã de quinta-feira (27.01), a ampliação da exigência da vacinação completa para acesso de áreas fechadas no campus da instituição.

Em reunião virtual do Conselho da Administração da UnB, transmitida pelo canal da universidade no Youtube, a reitora Márcia Abrahão explicou que dará prazo de 15 dias para que a fiscalização tenha início. “Vou tentar assinar o mais rápido possível, ainda hoje se possível, até porque temos um problema logístico. Nós temos que treinar nossos vigilantes, porque a exigência vai valer para qualquer pessoa”, explica.

Desde o início das aulas, no dia 17 de janeiro, a apresentação do cartão de vacinas já era exigida nas entradas do Restaurante Universitário (RU) e da Biblioteca Central (BCE), no campus Darcy Ribeiro.

No que consta o segundo semestre de 2021, cerca de 15% das turmas de graduação terão algum grau de presencialidade. Contudo, as unidades têm autonomia tanto em relação à gestão da oferta quanto ao início das atividades nos campi. No campus Darcy Ribeiro, a maioria dos professores optou por ministrar as primeiras aulas ainda na modalidade remota.

Coordenadora da Medicina entrega função

A coordenadora de graduação do curso de medicina da Universidade de Brasília (UnB), Selma Kuckelhaus, pediu o desligamento do cargo após a Universidade confirmar que irá exigir o comprovante de vacinação para alunos e funcionários. 

“Torno pública a minha decisão, devidamente formalizada ao diretor da Faculdade de Medicina (FM) nesta data, de me desligar da coordenação da graduação do curso de medicina. Tal decisão foi motivada pela recente implantação do passaporte sanitário na Faculdade de Medicina, que hoje foi aprovada pelo CAD para toda a comunidade universitária”, informa Kuckelhaus, em nota.

A apresentação do comprovante vacinal não é exigida apenas na Faculdade de Medicina, o documento permite o acesso a todas as edificações administrativas e acadêmicas da UnB, além de incluir os quatro campi e demais edificações.

Na ocasião em que a exigência do comprovante foi aprovada, o diretor da Faculdade de Medicina, Gustavo Romero, afirmou que a aprovação significa um acolhimento à ciência. “Trata-se de celebração bastante significativa do acolhimento da ciência para tomarmos nossas decisões e da nossa preocupação com a saúde coletiva. São caminhos que valem a pena ser trilhados”, disse.

Além de expor o motivo do seu desligamento, a coordenadora da FM disse que as vacinas ‘suscitam inúmeros questionamentos’, indo contrária ao comemorado pelo diretor da faculdade.

Sou sensível ao momento pandêmico, bem como às soluções criadas para o cuidado dos pacientes. Dentre essas, é sabido que as vacinas estão em desenvolvimento e, nessa fase, tanto a segurança quanto a eficácia suscitam inúmeros questionamentos. Para além disso, as vacinas disponíveis não impedem a infecção e tampouco o contágio, como demonstrado pelos inúmeros casos de infecção de indivíduos vacinados”.

Na nota, Kuckelhaus afirmou que não foi vacinada. “Considerando que componho o grupo de servidores não vacinados, a minha posição como coordenadora ficou em desacordo com a gestão da faculdade”, conta.

Apesar de não impedir o contágio e infecção pelo vírus, a vacina inibe cenários mais críticos da doença e complicações adversas. Dados divulgados pela Secretaria de Saúde do Distrito Federal mostram que dos quase 11 mil óbitos causados por complicações da covid-19 na capital, 92,2% foram pessoas que não haviam iniciado ou completado o esquema vacinal.

Apesar disso, a coordenadora afirmou se manter ao lado das ‘liberdades individuais’. “Entendo ser uma incongruência a imposição do passaporte sanitário, desconsiderando os indivíduos que se recuperaram da infecção pela Covid-19 e que possuem imunidade natural, bem como aqueles que não sentem segurança nas vacinas disponíveis e julgam que o risco supera o benefício. Além disso, sou árdua defensora das liberdades individuais”.

A imunidade natural, citada por Kuckelhaus, e também conhecida como ‘imunidade de rebanho’, consiste em atingir um ponto onde há uma quantidade de pessoas suficiente imune ao vírus, interrompendo a transmissão comunitária. Essa alternativa, no entanto, exige que o vírus se mantenha estável, o que não é o caso do coronavírus, levando em conta a quantidade de cepas existentes e que agem de maneiras diferentes entre si.

Essa alternativa de enfrentamento à pandemia, todavia, não consiste em deixar com que as pessoas fiquem doentes e saiam imunizadas, visto que não é possível garantir a saúde dos infectados, considerando a forma diversa com que a doença age no sistema imunológico de cada um, variando no nível de agressividade.

Se fosse plenamente adotada, especialistas avaliam que a imunidade de rebanho só funcionaria quando aliada às vacinas. “Precisamos imunizar a população total para que isso aconteça”, conta Isabella Ballallai, vice-presidente da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunização”, em entrevista.