Sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Bolsonaro fala em crise institucional e acusa Moraes do STF de 'decisão política'

Em novas declarações na manhã desta quinta-feira, presidente desafiou o ministro do STF sobre decisão que suspendeu nomeação de Ramagem

Publicado em: 30/04/2020 às 08h59


O presidente Jair Bolsonaro desafiou, na quinta-feira (30.04), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, a decidir se Alexandre Ramagem pode ou não continuar no comando da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Do contrário, afirmou o presidente, irá nomear o seu ex-chefe de segurança pessoal, diretor-geral da Polícia Federal.

Bolsonaro disse que ficou ''chataeado" por ter decretado a volta do seu indicado para comandar a PF depois de ser desautorizado por decisão monocrática de Alexandre de Moraes. "Se não pode ficar na PF, não pode ficar na Abin também", reclamou o presidente. Para Bolsonaro, a decisão do ministro do STF "foi uma decisão política".

Ele lembrou que, nessa quarta-feira (29.04), ao dar posse ao novo ministro da Justiça, André Mendonça, começou o discurso falando Constituição Federal. "Eu respeito a Consituição e tudo tem um limite. E estamos discutindo um novo nome (para diretor da Polícia Federal)", disse o presidente.

Moraes concedeu a liminar justificando a relação de amizade de Ramagem e o clã Bolsonaro. O presidente disse que conheceu Ramagem logo após a eleição, em 2018, quando ramagem foi designado pela Polícia Federal chefe de sua segurança pessoal.


"Eu o conhecei com essa profundidade. Construí com ele uma relação de confiança", diise o presidente para justificar os motivos que o levaram a nomear Ramagem para o comando da PF.


Crise Institucional


"Agora, tirar numa canetada, desautorizar o presidente da República, dizendo impessoalidade (argumentação da liminar de Moraes). Ontem (na quarta-feira), quase tivemos uma crise instutiocional", disse Bolsonaro.

Questionado sobre a possível crise institucional, Bolsonaro disse que não entraria em detalhes. "Eu não engoli ainda essa decisão do senhor Alexandre de Moraes. Não engoli. Não é essa a forma de tratar um chefe do Executivo, que não tem uma acusação de corrupção e faz tudo possível pelo seu país", declarou.


O presidente afirmou que a Advocacia-Geral da União (AGU) irá recorrer da decisão liminar de Moraes, mas que o governo estuda outros nomes para o cargo de diretor-geral da Polícia Federal.


"Eu pretendo o mais rápido possível, né, sem atropelo, indicar o diretor-geral, que é competência minha indicar. Quero o mais rápido possível dar tranquilidade para a Polícia Federal trabalhar". Bolsonaro fez essas afirmações na saída do Palácio da Alvorada, antes de embarcar para Porto Alegre.