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Caarapó - MS, terça-feira, 7 de abril de 2020


Coronavírus: Cenário é desafiador e interfere na inflação, informa Banco Central

O Banco Central garante que vai usar todo o arsenal de medidas de políticas monetária, mas admite que ações devem apenas amenizar os impactos da pandemia no Brasil

Publicado em: 23/03/2020 às 09h15

Marina Barbosa

A pandemia do coronavírus gerou um cenário desafiador para economias emergentes como a do Brasil. A conclusão é do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que na semana passada cortou a taxa básica de juros (Selic) da economia brasileira de 4,25% para 3,75% e nesta segunda-feira (23.03) informou que o futuro da Selic agora vai depender do avanço do Covid-19 na economia nacional.

Em ata divulgada na manhã desta segunda-feira(23.03), um dia antes da publicação usual, o Copom explica que a pandemia do coronavírus traz três impactos iniciais sobre a economia e a inflação brasileira: "Primeiro, um choque de oferta, derivado da interrupção das cadeias produtivas. Segundo, um choque nos custos de produção, mensurado pela variação de preços das commodities e de importantes ativos financeiros. Terceiro, uma retração de demanda, proveniente do aumento da incerteza e das restrições impostas pela pandemia".


"O terceiro efeito tende a ser bastante significativo no horizonte relevante para a política monetária porque os efeitos da pandemia sobre a atividade podem ser expressivos. De acordo com simulações apresentadas na reunião do Copom, para compensar este terceiro efeito, seria necessária uma redução da taxa básica de juros superior a 0,50 ponto percentual", acrescenta a ata do Copom.

O Copom explica ainda que, apesar disso, optou por um corte de 0,5 ponto percentual da Selic na reunião da semana passada por entender que reduções maiores poderiam ser anuladas por incertezas aumentadas pela pandemia, como a incerteza sobre a continuidade das reformas e sobre a continuidade do ajuste das contas públicas. O Comitê ainda disse que, com esses juros de 3,75% ao ano, seria possível atingir a meta de inflação neste ano. Porém, reconheceu que o rumo da Selic agora vai depender do tamanho dos impactos econômicos da pandemia.


"Em vista dessa percepção, o Comitê ponderou que uma redução da taxa básica de juros além de 0,50 ponto percentual poderia tornar-se contraproducente e resultar em apertos nas condições financeiras, com resultado líquido oposto ao desejado. Com base nas informações disponíveis até o momento, o Comitê vê como adequada a manutenção da taxa Selic em seu novo patamar. No entanto, o Comitê reconhece que novas informações sobre a conjuntura econômica serão essenciais para definir seus próximos passos", diz a ata do Copom.


O Banco Central ainda garante que vai usar "todo o seu arsenal de medidas de políticas monetária, cambial e de estabilidade financeira no enfrentamento da crise atual". Porém, admite que essas medidas devem apenas amenizar os impactos da pandemia, no Brasil e fora dele.


"O Comitê entende que as informações disponíveis já são suficientes para evidenciar que a pandemia terá efeito contracionista extremamente significativo sobre a atividade global. As medidas fiscais e monetárias adotadas pelas principais economias tendem a mitigar apenas uma pequena parcela desses efeitos. Para os países emergentes, o ambiente rapidamente se transformou de favorável para desafiador. Assim como em outras crises internacionais, o aumento de aversão ao risco e a consequente realocação de ativos estão provocando substancial aperto nas condições financeiras", diz o Copom.