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Caarapó - MS, terça-feira, 7 de abril de 2020


Sem o partido Aliança (APB), políticos pretendem disputar prefeituras pelo PSL

Partido já tem pré-candidatos em Campo Grande e Três Lagoas, e vai oficializar em Dourados e Ponta Porã

Publicado em: 11/03/2020 às 06h14

Izabela Jornada

Sem a criação do partido Aliança Pelo Brasil (APB), partido que terá como líder maior o presidente da República, Jair Messias Bolsonaro (sem partido), políticos de Mato Grosso do Sul pretendem disputar as eleições municipais pelo PSL.

É o caso do deputado estadual Renan Contar (PSL), pré-candidato a Prefeitura de Campo Grande, e do pré-candidato em Três Lagoas, tenente-coronel da Polícia Militar (PMMS) Ênio de Souza Soares – que no fim de semana se envolveu em um escândalo familiar, após cria.

No sábado (7), a presidente da sigla à nível estadual, senadora Soraya Thronicke (PSL), esteve em Três Lagoas, em que anunciou a nova diretoria municipal do partido na cidade e oficializou a pré-candidatura do militar Ênio. Ele está envolvido em conflito familiar, com acusações de agressão contra o filho de 19 anos e registro de Boletim de Ocorrência no qual a ex-esposa do pré-candidato denunciou ameaças feitas pelo militar contra ela.

Na quinta-feira (5), Ênio pediu afastamento do cargo para oficializar as pretensões políticas a prefeito de Três Lagoas. Ele era comandante do Batalhão da PM.

Em nota, o PSL afirmou que a briga dentro da casa do militar não mudou o posicionamento do partido em relação a sua pré-candidatura.

A senadora considerou que Ênio estaria sofrendo uma calúnia e considerou o problema familiar. “Divulgaram apenas o boletim de ocorrência do filho, narrando o ocorrido, que é algo mais do que normal em uma família. Mesmo assim, vazou e nós já temos conhecimento de quem é o policial que fez isso vazar. Então mais uma vez, eu peço para que parem. Mas isso não é uma ameaça. Estou sendo bastante amigável avisando”, disse a senadora afirmando que processaria os veículos de comunicação ou pessoas que divulgassem o caso.

De acordo com a diretoria do PSL, em Mato Grosso do Sul, todos os pré-candidatos a prefeito do partido serão lançados ainda nesse mês. No dia 21 de março será o lançamento da pré-candidatura do postulante ao cargo em Dourados e no dia 22 de março em Ponta Porã. “Não posso divulgar os nomes ainda, mas, neste mês lançaremos todos”, afirmou uma das integrantes da diretoria do partido no Estado, Raquel Portiolli.

DISPUTA PELO PODER

Em Campo Grande, além de Contar, outros pré-candidatos de outros partidos já foram oficializados. O deputado estadual do MDB Márcio Fernandes também pretende disputar a Prefeitura de Campo Grande. O deputado estadual do PT Pedro Kemp já foi anunciado como o escolhido do partido para o cargo.

O pré-candidato do DEM ainda não foi divulgado, porém é possível que seja o deputado Coronel David. Caso consiga desfiliação do PSL, ele migraria para o DEM e disputaria as eleições municipais. Anteriormente, David disse que teria interesse em concorrer ao Executivo municipal, caso tivesse o apoio do partido.

Pelo PSD, o prefeito de Campo Grande, Marcos Trad tentará se reeleger. Do PSDB, o candidato ainda não foi divulgado. Os tucanos alegam que estão aguardando o aval do governador do Estado, Reinaldo Azambuja. A deputada federal Rose Modesto (PSDB) já anunciou que está a disposição da sigla para disputar a prefeitura, em outubro. Porém, informações são que o líder do Executivo estadual apoiaria o prefeito em 2020 e em contrapartida teria o apoio ao Senado Federal em 2022.

CONFLITOS

O PSL tem sido conhecido por ser palco de diversos conflitos, tanto nacional como também em Mato Grosso do Sul. Além das divergências entre Bolsonaro e o presidente da sigla nacional, Luciano Bivar, que resultou na desfiliação de Bolsonaro, o PSL continua tendo desentendimentos internos.

O ato de empossar a nova diretoria do partido em Três Lagoas é resultado dos conflitos que ocorreram entre a Executiva estadual. Isso porque, quando a senadora se tornou presidente do partido, ela mudou a diretoria em Campo Grande e nas demais cidades. Soraya não manteve nenhum apoiador do antigo presidente estadual do PSL, Rodolfo Nogueira.

Por esse motivo, apenas o presidente do PSL em Três Lagoas que continuou no cargo. “Só o presidente que estava conosco, os outros estavam em casa e fazendo campanha para outros”, declarou a senadora, durante a posse da nova diretoria municipal na cidade de Três Lagoas.

Em Campo Grande, o indicado para ser presidente do PSL municipal era o deputado estadual Coronel David (PSL), porém, a senadora mudou a diretoria e deu o cargo para o deputado estadual Renan Contar, em 2018. Contar também foi anunciado como pré-candidato pela sigla, para concorrer a Prefeitura de Campo Grande.

A situação desagradou o parlamentar David, que considerou ingratidão. De acordo com David, ele é um dos precursores do partido em Campo Grande. Em 2016, o parlamentar trouxe o presidente no Estado e foi um dos primeiros em anunciar a pré-candidatura de Bolsonaro.