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Caarapó - MS, domingo, 29 de março de 2020


Usina em Vista Alegre tem a falência decretada e preocupa do Governo de MS

Desde o final do ano passado a empresa não paga salários de 600 funcionários e afeta a vida das famílias em Maracaju

Publicado em: 09/03/2020 às 21h54

Rosana Siqueira

A usina de açúcar e etanol da Tono Bioenergia de Vista Alegre, teve a falência decretada pela Justiça de São Paulo na última-sexta-feira (06.03). A situação preocupa ainda mais 600 trabalhadores da usina que desde o final do ano passado estão sem receber salários no pequeno distrito de Vista Alegre, em Maracaju.

Após o administrador judicial da Tonon Bioenergia noticiar o descumprimento do plano de recuperação judicial em diversos pontos, além de não apresentar os relatórios mensais de suas atividades, não tendo havido pagamento dos credores, os tributos e os honorários da administradora judicial, a Juíza de Direito Dra. Daniela Almeida Prado Ninno, responsável pela ação, convolou em falência a recuperação judicial das empresas que compõem o grupo.

A Tonon Bioenergia estava em regime de recuperação judicial desde dezembro de 2015 e em 2017 vendeu o controle de duas de suas três unidades sucroenergéticas para a Raízen, as unidades Santa Cândida, em Bocaina (SP); e a Paraíso, em Brotas (SP).

A terceira unidade da companhia, a Usina Vista Alegre (UVA), localizada no distrito de Vista Alegre, em Maracaju, continuava sob controle da Tonon. Apesar de ser uma das plantas industriais mais modernas do País e manusear uma área 30 mil ha com cana-de-açúcar, a UVA vinha operando muito abaixo de sua capacidade instalada, sendo que a capacidade de moagem: 3,5 milhões de toneladas/safra; produção de etanol: 132 mil m³ de etanol/safra; produção de açúcar: 385 mil toneladas de açúcar/safra; geração de eletricidade: 60 MW (em parceria com a Brookfield).

Sem salários - No final de outubro do ano passado, a direção da Tonon Bioenergia paralisou as atividades da unidade em Vista Alegre, alegando o período de entressafra para manutenção, contudo o clima de incerteza já tomava conta dos trabalhadores, devido às centenas de demissões.

Em janeiro os trabalhadores da área agrícola realizaram uma manifestação pedindo o pagamento dos 50% restantes dos salários que era compromisso de ser pago em dezembro, o 13° salário que se encontrava atrasado e o plano de saúde bloqueado.

Preocupação - A confirmação foi feita pelo secretário de Estado de Produção, Jaime Verruck, em entrevista concedida à Rádiowebms. Ele destacou que a indústria Tonon de Açúcar e álcool havia solicitado pedido de recuperação Judicial, desde o ano passado, e que recebeu a informação extraoficial de que a empresa teve decretação de falência pela justiça de Jaú, São Paulo, na sexta-feira, dia 06.03.

Segundo Jaime, o governo está preocupado com a situação de 600 trabalhadores da indústria que ainda não receberam seus salários desde novembro do ano passado.

Verruck disse que o Estado espera que um outro grupo se interesse pela compra da indústria. E lembra, que a indefinição da situação financeira da Tonon impossibilitava interessados na compra da empresa, instalada em Vista Alegre, distrito de Maracaju.

O secretário garantiu que o governo vai manter a política de incentivo fiscal para que a empresa volte a atividade o mais rápido possível. Na avaliação do secretário da Semagro, a Tonon é moderna tem contrato no fornecimento de energia e envolve mais de mil famílias na região de Vista Alegre, em Maracaju, cidade distante a 160 quilômetros de Campo Grande.

Como fica a situação - Com a falência decretada, foi mantido como administrador judicial o Dr. Orlando Geraldo Pampado, com escritório em São Manuel (SP).

Cabe a ele proceder a arrecadação dos bens, documentos e livros, bem como a avaliação dos bens, e eventual lacração, para realização do ativo visando atender o ressarcimento aos credores, os quais terão reconstituídos seus direitos e garantias nas condições originalmente contratadas, deduzidos os valores pagos e ressalvados os atos validamente praticados no âmbito da recuperação judicial.

Também está proibida a prática de qualquer ato de disposição ou oneração de bens da falida, sem autorização judicial, ressalvados os bens cuja venda faça parte das atividades normais do devedor “se autorizada a continuação provisória das atividades”.

No que tange aos bens perecíveis, notadamente as lavouras de cana-de-açúcar, deverá o Administrador providenciar a abertura de incidente para que eventuais interessados concorram para sua aquisição, depositando-se o valor nos autos.