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Caarapó - MS, sexta-feira, 25 de setembro de 2020


Filho de gari, Leonardo Lima passou na OAB no 9º semestre da faculdade

Com incentivo do pai e da mãe professora que concluiu o ensino médio aos 34 anos, o filho se formou em direito e passou no Exame da Ordem aos 22 anos

Publicado em: 03/02/2020 às 07h04

Isadora Martins

Com apoio dos pais, um gari e uma professora que terminou o ensino médio aos 34 anos, jovem de Porto Velho (RO) comemora conquistas que vieram a partir da educação: a graduação em direito, a aprovação no Exame de Ordem ainda durante a faculdade, um escritório de advocacia e uma pós-graduação que está prestes a terminar. A família sempre viu na busca por conhecimento o caminho para mudar de vida.


“Meu pai sempre dizia que a educação é a solução de todos os problemas”, conta Leonardo Lima, 24 anos. Assim, o jovem sempre correu atrás do ensino com o apoio do gari Aristelo Lima, 49, e da professora Gerciana Costa, 51. Em 2018, ele passou no Exame da Ordem dos Advogados do Brasil quando ainda estava no 9º semestre da graduação em direito na União das Escolas Superiores de Rondônia (Unirom).


Morador de Porto Velho (RO), Leonardo pegou o diploma no fim de 2018, mas a turma dele colou grau em abril de 2019. A história do advogado que é filho de gari chama a atenção, mas ele ressalta que, apesar de ter vindo de uma família humilde, nunca lhe faltou nada, graças ao trabalho e apoio dos pais. “Eu não posso dizer que a gente vive em uma situação precária, pelo contrário. Há pessoas em situações muito mais difíceis que a nossa”, diz.


“A minha bolha social são pessoas muito carentes e em situações mais críticas que a minha. Eu tenho um pai e uma mãe que sempre me apoiaram e trabalharam para não faltar nada dentro de casa”, acrescenta. “Algumas pessoas nem isso têm.” Leonardo estudou a vida inteira em escola pública: cursou o ensino fundamental 1 na Escola Municipal São Pedro; o ensino fundamental 2 na Escola Estadual Duque de Caxias e o ensino médio no Instituto Carmelo Dutra.


Na época, a mãe dele era empregada doméstica e não tinha concluído os estudos — ela se formou no ensino médio aos 34 anos. Hoje, é graduada em pedagogia e letras. O advogado conta que a família sempre o incentivou na vida acadêmica e nunca deixou faltar nem um lápis para ele estudar. Ele tem duas irmãs de 19 e de 15 anos. A primeira concluiu o ensino médio em 2019, e a segunda está na escola.


Inspiração


“Meu pai sempre falou para mim: ‘Não queira para a sua vida o que nós tivemos’. Ele acreditava que a educação era a melhor forma de mudar de vida”, lembra. “Eu sempre levei o ensinamento dele muito a sério.” Inicialmente, Leonardo almejava cursar ciências aeronáuticas, mas não conseguiu passar pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o que deixou Aristelo um pouco chateado.


No entanto, com a nota obtida na prova, ele descobriu que poderia pagar o curso de direito com o Fundo Financiamento Estudantil (Fies). “Entrei para ver como era e me encantei logo no primeiro semestre. Foi a menina dos olhos azuis para mim”, brinca. A rotina durante os anos de graduação foi puxada. Pela manhã, Leonardo fazia estágio — ao longo dos cinco anos, passou pelo Departamento Trânsito de Rondônia (Detran-RO), pelo Tribunal de Contas de Rondônia (TCE-RO), pelo Tribunal Regional do Trabalho de Rondônia e Acre (TRT-14ª Região) e pela Procuradoria-Geral do Estado de Rondônia (PGE-RO).