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Caarapó - MS, sexta-feira, 24 de janeiro de 2020


Rival do Brasil no penta em 2002 sobrevive como Uber nos EUA

Hakan Sukur, um dos maiores jogadores da história da Turquia, teve problemas em sua vida política e hoje em dia atua como motorista

Publicado em: 15/01/2020 às 07h26

Agência JN

Hakan Sukur elevou o futebol turco a outro nível. Foi ele o grande responsável por levar o país ao terceiro lugar na Copa do Mundo de 2002, quando enfrentou o Brasil em duas oportunidades. Porém, o ex-atacante de 48 anos vive agora uma realidade bem diferente de quase 20 anos atrás. Hoje em dia, o turco ganha a vida trabalhando como Uber em Washington, capital dos Estados Unidos


O ex-jogador turco Hakan Sukur tem agora 48 anos, vive em Washinghton e é condutor da Uber. Marcou um número impressionante de 322 golos na carreira e passou por clubes como o Parma, Inter, Torino e Galatasaray, onde pendurou as botas em 2008. É também o recordista do golo mais rápido na história dos Mundiais, com a camisola da Turquia, seleção pela qual marcou 51 golos. Em entrevista à revista alemã "Focus", aborda os episódios ocorridos nos últimos anos da sua vida e como "a vida mudou radicalmente de um dia para o outro".


Sukur entrou no mundo da política, em 2011, pouco tempo depois de deixar o futebol, no partido AKP, liderado pelo atual presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan. Depois de uma experiência conturbada, marcada por escândalos de corrupção, incluindo no futebol, Sukur abandonou o cargo dois anos depois e foi aí que começaram os problemas.


A vida de Hakan tornou-se sufocante, como relata na entrevista: "Atiraram pedras à loja da minha mulher, os meus filhos foram assediados na rua, recebi ameaças depois de cada declaração que fiz. Quando deixei o país, prenderam o meu pai e tudo o que eu tinha foi confiscado." O seu pai foi detido no momento em que o ex-avançado foi viver para o continente americano, e só foi libertado por sofrer de cancro, tal como a sua mãe.


O regime de Erdogan tirou tudo a Sukur. Os seus ativos foram congelados, não pode arrendar propriedades e teve de fechar um café que abriu quando se mudou para os EUA, por ser abordado por indivíduos suspeitos. "Não tenho nada em nenhuma parte do mundo. Erdogan tirou-me tudo, o meu direito à liberdade, o direito a expressar-me, a trabalhar..."


Atualmente é condutor da Uber na América e vende livros para conseguir viver. No final da entrevista lançou uma mensagem para o presidente turco: "Regresse à democracia, à justiça e aos direitos humanos. Seja alguém que se preocupa com os problemas dos indivíduos. Torne-se no presidente que a Turquia precisa".