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Caarapó - MS, sábado, 14 de dezembro de 2019


Alegria de pobre d...

DECISÃO DO TRF1: Antes de redução entrar em vigor, pedágio da BR-163 volta a subir

Publicado em: 01/12/2019 às 16h34

Glaucea Vaccari

Tribunal suspendeu efeitos da decisão da ANTT e manteve valor antigo da tarifa.


Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) suspendeu decisão da Agência Nacional de Transportes (ANTT) que havia determinado a redução da tarifa do pedágio da BR-163, em Mato Grosso do Sul. A redução, de 53,94%, que era começaria a ser cobrada neste domingo (1º), nem chegou a entrar em vigor.


Concessionária que administra a rodovia, a CCR MSVia, informou que a cobrança do valor anterior da tarifa já foi retomada desde a meia-noite nas praças do Estado. Na última terça-feira, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) havia determinado por processo administrativo que CCR deveria aplicar a redução de 53,94% da tarifa básica, com vigência a partir de sábado. A concessionária recorreu e conseguiu decisão favorável, proferida ontem.


A decisão sobre agravo de instrumento interposto perante o Tribunal Regional Federal da 1a Região suspendeu os efeitos da deliberação 1025 da ANTT, que havia alterado a tarifa básica de pedágio de R$ 0,05259 para R$ 0,04767; com aplicação do desconto de reequilíbrio de 34,89228%, sobre a tarifa básica de pedágio, correspondente ao Fator D (uma das fórmulas consideradas no cálculo), bem como a aplicação do Índice de Reajustamento Tarifário que representa o percentual positivo de 3,22%, correspondente à variação do IPCA no período; o Fator C (outra fórmula usado no cálculo) negativo de R$ 1,38979 na Tarifa de Pedágio reajustada. Suspensão é até que sejam apreciados os conflitos decorrentes do desequilíbrio contratual pelo juízo arbitral”.


Desta forma, a tarifa, que na praça de pedágio de Campo Grande deveria cair para R$ 3,90, volta para o valor anterior, de R$ 7,80. Em Mundo Novo, onde a redução seria de 60% para facilitar o troco e tarifa seria de R$ 2, com a suspensão o valor cobrado continua em R$ 5,10.


A redução no preço do pedágio da BR-163 cobrado pela CCR MSVia era para ter ocorrido na primeira quinzena de setembro, conforme determinação da ANTT, momento em que ocorreu a revisão tarifária.
A data-base para a aplicação de novas tarifas é 14 de setembro, mas a ANTT protelou por mais de dois meses a decisão – sem justificativas, uma vez que os pareceres das áreas técnicas estavam prontos desde o dia 12 de setembro.


Conforme notícias, a concessionária protocolou o pedido para suspender a redução às 11h. Menos de três horas depois, às 13h47, a desembargadora Maria do Carmo Cardoso, acatou o pedido da empresa e determinou a suspensão da decisão da ANTT. Na prática, o preço do pedágio dobrou em menos de 12 horas.


Apesar de ter acumulado lucros entre 2016 e 2018, a concessionária alegou “gravíssimo desequilíbrio” desde 2015 e que o fato não teria sido apreciado pela ANTT. A perda com a redução seria de R$ 400 mil por dia.


Os argumentos “sensibilizaram” a magistrada. Maria do Carmo viu nos documentos apresentados pela MS Via de que havia “desiquilíbrio contratual”. Segundo ela, a Superintendência de Exploração de Infraestrutura Rodoviária apontou necessidade de medidas para compensar a perda de receita com a “Lei dos Caminhoneiros”, que previu isenção para eixo suspenso dos caminhões.Maria do Carmo causou polêmica neste ano ao manter as festividades do golpe de 1964. A desembargadora suspendeu decisão de primeira instância que proibia a União e as Forças Armadas de celebrar o início da ditadura militar no dia de março deste ano.


A desembargadora e a filha, advogada Renata Gerusa Prado de Araújo, foram citadas por empresários da JBS de obter tráfico de influência nos tribunais superiores em Brasília. As denúncias foram feitas pelo ex-genro da magistrada, mas acabaram não sendo comprovadas na Justiça.

A redução no pedágio levou ao pé da risca o ditador popular de que “alegria de pobre, dura pouco”. Neste caso, a felicidade não durou 24h.

NOVELA


A CCR MSVia chegou a pedir que a ANTT diluísse, nos próximos 25 anos, a redução de 53,94% na tarifa do pedágio.
Reportagem publicada pelo Correio do Estado na edição do dia 13 de novembro mostrou que o diretor da ANTT, Davi Barreto, ficou contra o pedido. “Francamente, estender em 25 anos é desrazoável – a empresa auferir receita em um ano e querer pagar em 25 anos não me parece ser razoável”.


A concessionária abandonou a obra de duplicação há mais de dois anos, após ter pedido de revisão do contrato negado. Desde então, a empresa faz apenas a manutenção do trecho.