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Caarapó - MS, domingo, 31 de maio de 2020


Senadora Federal Jeanine Añez se declara presidente da Bolívia

Mesmo sem quórum em nenhumas das Câmaras, senadora da oposição assume a presidência da Bolívia para "criar um clima de paz social"

Publicado em: 13/11/2019 às 06h10

France Press

A senadora federal Jeanine Añez se proclamou na terça-feira presidente interina da Bolívia, em uma sessão legislativa que não contou com o quórum em nenhuma das Câmaras, em uma tentativa de preencher o vácuo no poder deixado com a renúncia do presidente Evo Morales.


Añez, segunda vice-presidente do Senado, havia se autoproclamado momentos antes presidente da Câmara Alta, por conta da ausência da titular da instituição e do primeiro vice-presidente, supostamente exilados na embaixada de México na Bolívia.


"Queremos convocar novas eleições o mais cedo possível (...), com autoridades probas, de mérito, de capacidade, que sejam independentes", disse a nova presidente em discurso no Congresso, ao qual só assistiram legisladores contrários a Morales.


Os senadores da bancada de Morales - que controlam o Senado - exigiam garantias de segurança para se apresentar na sessão encarregada de eleger seu sucessor, após a violência das últimas três semanas.


A conservadora Añez, 52 anos, foi em seguida para a Casa de Governo, onde com a Bíblia na mão declarou: "É um compromisso que assumimos com o país, e vamos honrá-lo". A Constituição estabelece que, após a renúncia do presidente Evo Morales (domingo), o vice-presidente, o presidente do Senado ou o presidente da Câmara dos Deputados deve assumir a sucessão, mas todos também renunciaram a seus cargos.


O candidato centrista Carlos Mesa felicitou a "nova Presidente Constitucional da Bolívia Jeanine Añez".


"Nosso país se consolida com sua posse, sua vocação democrática e sua valentia de gestora popular legítima, pacífica e heroica. Todo sucesso ao desafio que se apresenta. Viva a Pátria!!!!!".


O líder regional de Santa Cruz (leste) Luis Fernando Camacho declarou que apoia Añez e que determinou a "suspensão das medidas" de protesto, como a greve e os bloqueios de rua.


Morales, asilado no México depois de sua tentativa frustrada de se manter na presidência por mais de 13 anos por meio de eleições consideradas irregulares pela oposição e observadores da OEA, declarou que "enquanto eu tiver vida, continuarei na política; enquanto eu estiver no trem da vida, a luta continua".


Morales chegou ao México em um avião da Força Aérea que o pegou na Bolívia, em um trajeto pontuado por mudanças de última hora por parte de vários governos, que afetaram o plano de voo inicialmente previsto. Inicialmente iria abastecer no Peru, que depois não autorizou, daí em diante voou para o paraguay, que aceitou a bastecer o avião. Em seguida o avião passou pelo território brasileiro e seguiu para o México, costeando o Equador e Peru.


Golpe ou farsa eleitoral? 


A Bolívia estava mergulhada no vácuo de poder desde domingo, quando Morales renunciou em meio a protestos, pressão das forças de segurança e sindicais e à violência desde as eleições de 20 de outubro.


Nesse dia, a oposição denunciou uma fraude eleitoral devido à interrupção abrupta da publicação dos resultados da contagem rápida no momento em que começaram a apontar para o segundo turno.


Morales, seus apoiadores do Movimento ao Socialismo (MAS) e vários países da América Latina - entre eles o México, o governo eleito da Argentina, Cuba, Venezuela e Uruguai - denunciaram como um "golpe de Estado" as pressões dos militares contra o presidente, acusado de fraude eleitoral.


Já o Brasil rejeitou a tese de golpe. "A repulsa popular após a tentativa de estelionato eleitoral (constatada pela OEA), o qual favoreceria Evo Morales, levou à sua deslegitimação como presidente e consequente clamor de amplos setores da sociedade boliviana por sua renúncia", afirmou chancelaria.