Piche no litoral nordestino é de petróleo da Venezuela, concluiu a pesquisa - Caarapó Online

Caarapó - MS, sexta-feira, 18 de outubro de 2019


Piche no litoral nordestino é de petróleo da Venezuela, concluiu a pesquisa

Após analisar 23 amostras do resíduo ficou comprovado que o óleo encontrado não é brasileiro, confirmou a Petrobrás

Publicado em: 10/10/2019 às 07h45

Francine Marques

Apesar da cautela nas declarações do presidente Jair Bolsonaro, em relação a origem das manchas de óleo que atingem 138 praias do litoral nordestino, o relatório da Petrobras aponta que o piche é uma mistura de óleo da Venezuela.

Até o momento, 62 municípios, dos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Piauí e Sergipe, foram afetados.

Essa conclusão veio após análises laboratoriais, de 23 amostras do resíduo, os técnicos da Petrobras verificaram que as moléculas são de um material diferente do que é produzido no país.

Desde 2 de setembro, quando apareceram os primeiros vestígios do petróleo cru nas praias brasileiras, até ontem equipes do Ibama retiraram 133 toneladas de piche.

Com isso ficou claro que o óleo não é produzido, comercializado e nem transportado pela Petrobras. Entretanto, oficialmente, Roberto Castello Branco, presidente da petrolífera, não quis falar sobre o culpado, mas apresentou três hipóteses: o vazamento pode ter ocorrido durante o naufrágio de um navio, despejo criminoso ou um descuido durante a transferência do petróleo de uma embarcação para outra. “São aproximadamente mais de 500 barris de petróleo, o que indica que não é simplesmente a lavagem de um tanque de um navio. Alguma coisa extraordinária aconteceu”.

No dia 25 de setembro, por meio de nota, a Petrobras esclareceu que o óleo não era produzido por ela.”Analisamos amostras de óleo encontradas ao longo das últimas duas semanas em praias nos estados de Alagoas, Ceará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte e verificamos que o material encontrado não é produzido e nem comercializado pela companhia”.

No entanto, desde a última quinta-feira, estamos contribuindo com a limpeza das praias que apresentaram manchas de óleo nos últimos dias. O trabalho é realizado, sob coordenação do IBAMA, pelas equipes do Centro de Defesa Ambiental da Petrobras”.

Agora, a Marinha busca identificar todas as embarcações que passaram por águas nacionais, até o momento, já foram identificados 140 navios-tanques.

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles solicitou auxílio dos Estados Unidos para identificar a origem do óleo. Salles participa nesta quarta-feira (9.10), da sessão da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável na Câmara dos Deputados, para tratar dos incêndios e desmatamento na Amazônia, porém deve falar também desse outro desastre ambiental.