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Caarapó - MS, domingo, 17 de fevereiro de 2019


Rússia diz que pode restringir soja do Brasil por uso de pesticidas

Rússia diz que pode restringir soja do Brasil por uso de pesticidas. Governo russo quer que produtores brasileiros reduzam uso de herbicidas com o ingrediente glifosato

Publicado em: 03/02/2019 às 08h17

Folha Press

O governo da Rússia informou ao Brasil que poderá suspender a importação de soja se os produtores brasileiros não reduzirem a quantidade de pesticidas – especialmente herbicidas com o ingrediente glifosato – nos grãos vendidos ao país.

O órgão informou ainda que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) já foi comunicado de que deverá tomar providências urgentes para garantir o cumprimento dos regulamentos técnicos da União Aduaneira sobre a segurança dos grãos em termos de conteúdo de pesticidas nos produtos enviados à Rússia. A Rússia é o quinto maior importador da soja brasileira, ficando atrás da China, Espanha, Holanda e Irã.

Em nota, o Serviço Federal de Vigilância Veterinária e Fitossanitária da Rússia ainda alertou sobre “possível introdução de restrições temporárias à importação de soja do Brasil em caso de falha do lado brasileiro em adotar medidas corretivas o quanto antes”.

Os russos destacam, na nota, o alto grau de toxicidade para humanos e animais do glifosato, um dos pesticidas mais usados na agricultura brasileira. Alguns países europeus, como Suécia e Dinamarca, baniram o uso do produto.

No Brasil, no entanto, o herbicida é defendido como essencial para manter a produção de larga escala da agricultura brasileira.

A maior parte da soja do Brasil é transgênica, resistente a herbicidas à base de glifosato.


Entre as empresas que comercializam a soja resistente ao glifosato está a Bayer, que comprou a norte-americana Monsanto.

A comandante do Ministério da Agricultura é a ministra Tereza Cristina (DEM-MS), que ficou conhecida como a “musa do veneno”, devido aos esforços da então presidenta da comissão especial da Câmara dos Deputados que aprovou o “Pacote do Veneno”, deixando-o pronto para votação no plenário. O Pacote tem como objetivo facilitar ainda mais o registro, produção, comercialização e aplicação de agrotóxicos.

O lobby do veneno ganhou muito espaço no governo de Jair Bolsonaro (PSL). Na última terça-feira, 29, o diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), William Dib, disse que a agência precisa analisar a segurança dos agrotóxicos, mas que o país também “não pode virar as costas ao agronegócio”.

“Não podemos colocar em risco nem o consumidor nem o aplicador do agrotóxico. Mas também não podemos virar as costas. O Brasil hoje paga suas contas graças ao agronegócio, à exportação, a uma produção que, provavelmente, se retermos os agrotóxicos, não teríamos. Temos que fazer isso com bom senso e segurança”.