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Caarapó - MS, domingo, 16 de dezembro de 2018


Carlos Marun prevê dificuldades para Bolsonaro, em negociar com o Congresso

Para o articulador político do governo Temer, privilegiar a negociação com as bancadas temáticas em detrimento das conversas com os líderes dos partidos será uma estratégia de difícil implementação

Publicado em: 06/12/2018 às 07h35

Correio Braziliense

Encarregado de fazer a articulação política com o Congresso Nacional para o presidente Michel Temer, Carlos Marun previu, nesta quarta-feira (5/12), em entrevista ao programa do Correio Braziliense e da TV Brasília, que o governo de Jair Bolsonaro terá dificuldade para negociar votações com as bancadas temáticas do Congresso em vez de com os líderes dos partidos.

 
Bolsonaro e sua equipe têm falado muito em superar o "toma lá dá cá", evitando negociações com caciques partidários. Embora tenha ressaltado que é preciso dar um voto de confiança ao próximo governo, o ministro da Secretaria de Governo acredita que haverá obstáculos para a implementação da estratégia.

 
"Eu, sinceramente, vejo dificuldade na articulação via bancadas. Nós temos algumas bancadas mais articuladas e, mesmo assim, a face não é a verdade do trabalho. A própria bancada ruralista, que é a mais estruturada, não tem uma organicidade para você dizer que ela vota (de forma unitária)", avaliou Marun.
 
 
"As frentes são temáticas. Vale o que a pessoa acredita. Eu participei mais ativamente da bancada ruralista e, nas questões de interesse do agronegócio, votei cegamente. Recebi a orientação da bancada e votei. Nas outras questões, a gente segue, normalmente, o encaminhamento da liderança (do partido)", completou.

 
Sempre evitando fazer críticas aos anúncios já feitos pela equipe de transição, Marun disse que não tomaria algumas das medidas, como a extinção do Ministério do Trabalho e do Emprego (MTE). "Você pode perguntar se eu faria. Não faria, tanto que não fizemos. O Ministério do Trabalho é uma pasta histórica. Mas devemos respeitar", afirmou.

 
Sobre o número de ministérios do próximo governo — Bolsonaro falou em no máximo 15 durante a campanha e, na transição, elevou o total para 22 —, Marun afirmou que considera um número muito pequeno pouco eficaz para um país do tamanho do Brasil. "Não vejo o número de ministérios como um fator, per se, de diminuidor de custos. Se eu pudesse, hoje, diminuiria um ou dois ministérios. Mas jamais a 15, num país do tamanho do Brasil."

 
Perguntado se o anúncio de 15 ministérios não foi, na verdade, uma manobra eleitoreira, Marun evitou, mais uma vez, fazer críticas. "Acho que, quando fizeram essa proposta, eles acreditavam nisso, mas a realidade é diferente", respondeu.