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Caarapó - MS, segunda-feira, 8 de março de 2021


Candidatos à Presidência e quais dificuldades têm de superar na campanha

Eleições 2018: Os candidatos à Presidência e quais dificuldades têm de superar durante a campanha

Publicado em: 29/09/2018 às 08h06

BBC Londres

A eleição presidencial de 2.018 terá o maior número de candidatos desde a disputa de 1989 - a primeira desde a redemocratização do país. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve sua candidatura barrada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e, a menos de um mês das eleições, o partido decidiu substituí-lo pelo vice na chapa, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad. Serão 13 candidatos, ao todo. No pleito de 89, foram 22.

Há, entre os candidatos, nomes atingidos denúncias de corrupção e por disputas partidárias internas. A maioria deles enfrenta a escassez de tempo de propaganda no rádio e na televisão. Alta rejeição ou falta de popularidade também estão entre as pedras no caminho de presidenciáveis.

Partidos e candidatos correm contra o tempo para superar seus problemas. A propaganda eleitoral está permitida desde o dia 16. No rádio e na televisão o horário eleitoral começou dia 31 de agosto. O primeiro turno de votações está marcado para 7 de outubro.

Listamos os principais obstáculos dos candidatos que disputam a Presidência da República. Confira:

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Haddad durante ato na Avenida Paulista contra o impeachment e a favor da democracia em 2016
Fernando Haddad foi lançado candidato do PT em 11 de setembro, depois que o TSE negou o registro da candidatura de Lula

Fernando Haddad (PT)

 

Lançado candidato a menos de um mês das eleições, Fernando Haddad, de 55 anos, assume a cabeça da chapa no lugar de Luiz Inácio Lula da Silva. O TSE negou o pedido de registro de candidatura do ex-presidente por entender que Lula está enquadrado na Lei da Ficha Limpa.

O ex-presidente está preso desde maio na sede da Polícia Federal em Curitiba (PR), onde cumpre pena de 12 anos por corrupção e lavagem de dinheiro.

Além de ter que defender o partido das acusações de corrupção, Haddad tem pouco tempo de campanha para se tornar conhecido e se projetar como a "voz de Lula".

O principal desafio dele é, de fato, herdar as intenções de votos em Lula, que contava com o voto declarado de quase 40% do eleitorado até ser oficialmente impedido de concorrer às eleições. Há dúvidas se outros candidatos, em especial os da esquerda, podem se beneficiar com a ausência de Lula na disputa.


Mas, antes mesmo de ter sido lançado oficialmente candidato, pesquisas de intenção de voto indicava que Haddad havia crescido de 4% para 9% na preferência do eleitorado.

Haddad tem trajetória acadêmica e passagem pelo sistema financeiro, onde trabalhou como analista de investimentos do Unibanco. É formado em Direito, tem mestrado em Economia e doutorado em Filosofia. Ascendeu no PT ocupando cargos de gestão a partir. Ele assumiu o ministério da Educação em julho de 2005.

O presidenciável petista tem pouca experiência nas urnas. Tem duas eleições no currículo, ambas para prefeito de São Paulo - venceu a primeira em 2012, ungido por Lula, e perdeu a segunda no primeiro turno para João Dória (PSDB), em 2016, quando o PT vivia o auge de seu desgaste com as denúncias de corrupção na Petrobras e o impeachment de Dilma Rousseff.

Jair BolsonaroBolsonaro trocou o PSC pelo PSL para disputar a Presidência

Jair Bolsonaro (PSL)

O deputado federal Jair Bolsonaro, de 63 anos, aparece em primeiro lugar nas pesquisas de opinião nos cenários eleitorais sem Lula. De acordo com a última pesquisa, Bolsonaro alcança 28,6 % das intenções de votos.

Foi forçado, contudo, a interromper a campanha na rua depois de ter sido esfaqueado durante um ato em Juiz de Fora (MG). Depois de operado, o candidato foi transferido para o hospital Albert Einstein, em São Paulo, onde se recupera. A perfuração deixou lesões graves em órgãos intra-abdominais. Além da lesão no intestino grosso, Bolsonaro teve três perfurações no intestino delgado.

Jair Bolsonaro trocou de partido para disputar as eleições. O deputado estava filiado ao PSC (Partido Social Cristão) e chegou a assinar a ficha de filiação do PEN (Partido Ecológico Nacional). Mas, em seguida, filiou-se ao PSL (Partido Social Liberal).

O nome do general da reserva do Exército Hamilton Mourão, do PRTB, foi oficializado como o candidato a vice de Bolsonaro, depois que ele enfrentou pelo menos três recusas para compor a chapa presidencial.

Bolsonaro tem pouco tempo de propaganda no rádio e na televisão: 8 segundos e 11 inserções - a título de comparação, o tucano Geraldo Alckmin tem 5 minutos e 32 segundos e 434 inserções na programação. Para estipular o tempo de cada candidato, leva-se em conta o número de deputados federais eleitos pelo partido em 2014. No caso do PSL, foram apenas dois.

Desde as eleições de 2014, o PSL conquistou mais deputados. Hoje, tem uma bancada de dez pessoas. Com esse número, Bolsonaro pode participar de debates na televisão - é preciso ter bancada de pelo menos cinco congressistas para ter presença garantida em debates sem a necessidade de ser convidado pelo organizador.

Os recursos de campanha também são vistos como um desafio para a candidatura. Os apoiadores do pré-candidato apostam na divulgação do número de uma conta para arrecadar doações na internet. O Tribunal Superior Eleitoral autorizou o uso de "vaquinhas virtuais" nesta eleição para arrecadar recursos de pessoas físicas - a doação de empresas permanece proibida. No Fundo Eleitoral, o PSL terá direito a apenas R$ 9,2 milhões - pode parecer muito, mas o PSDB por exemplo, sozinho, tem direito a R$ 185,8 milhões.

Bolsonaro tentaria contornar essa limitação usando redes sociais e contando com a produção espontânea de conteúdo de simpatizantes. O pré-candidato também vai precisar mostrar que domina diferentes temas.

Ele também vai precisar enfrentar a rejeição - segundo a pesquisa de setembro ele é o presidenciável com maior rejeição: 23% disseram que não votam nele de maneira alguma.

Militar da reserva e professor de educação física, Bolsonaro é deputado federal desde 1991 - acumula sete mandatos por cinco partidos diferentes.

Geraldo Alckmin e João Dória
Geraldo Alckmin enfrentou disputa interna no PSDB para se viabilizar candidato

Geraldo Alckmin (PSDB)

O ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, de 65 anos, assumiu em dezembro a presidência do PSDB para tentar apaziguar o partido, que se dividiu entre ficar ou sair da base de apoio ao governo de Michel Temer (MDB).

Seu principal desafio é aparecer em uma melhor colocação nas pesquisas de intenção de voto. No último Datafolha, Alckmin teve 10% da intenção de votos, atrás de Bolsonaro, Marina e Ciro Gomes.

Alckmin foi confirmado como o único postulante do PSDB à Presidência, depois que o ex-senador e atual prefeito de Manaus Arthur Virgílio desistiu de participar de prévias para definir o candidato tucano nas urnas. No fim de fevereiro, Virgílio criticou o correligionário paulista, a quem acusou de usar a máquina partidária para evitar a disputa, e anunciou que não vai fazer campanha para Alckmin.

O ex-prefeito de São Paulo João Doria era outro tucano que almejava a candidatura presidencial, mas acabou deixando o cargo para disputar o governo paulista. Muitos tucanos acreditam que ele "queimou a largada" ao fazer um giro pelo Brasil na tentativa de aumentar sua popularidade - ele ainda é considerado desconhecido no país e não conseguiu alavancar seu nome nas pesquisas.

Além das muitas disputas internas, Alckmin assumiu um PSDB desgastado pelas denúncias de corrupção contra integrantes do partido, em especial as que pesam contra o senador Aécio Neves (MG), que disputou as eleições presidenciais em 2014, e o ex-governador de Minas Eduardo Azerendo, condenado a 20 anos de prisão por lavagem de dinheiro e peculato - atualmente ele cumpre pena em Belo Horizonte.

O próprio Alckmin também foi acusado de receber R$ 10 milhões em quantias não declaradas da Odebrecht, o que ele nega.

O candidato do PSDB conta com o apoio formal do grupo de partidos conhecido como "centrão" - PTB, PP, PR, Solidariedade, PRB e PSD - e ainda dos aliados históricos PPS e DEM. A senadora do PP do Rio Grande do Sul Ana Amélia, de 73 anos, será a vice do tucano.

Alckmin já disputou as eleições presidenciais em 2006, quando perdeu para Lula no segundo turno - os adversários do tucano fazem questão de lembrar que ele teve menos votos na segunda votação que na primeira. Alckmin enfrenta rejeição de 24%, a terceira maior entre os eleitores segundo o Datafolha de setembro.

Formado em medicina, começou a carreira política como vereador e, depois, foi prefeito de Pindamonhangaba (SP), sua cidade natal. Em 1994, foi eleito vice-governador de São Paulo e acabou assumindo o governo com o agravamento do estado de saúde de Mário Covas, em 2001. Perdeu a disputa pela prefeitura de São Paulo em 2008, mas voltou como governador em 2010 e foi reeleito em 2014.

Marina Silva
Marina corre o risco de ficar de fora dos debates na TV e deve ter 21 segundos na propaganda eleitoral obrigatória

Marina Silva (Rede)

A ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva lançou oficialmente sua candidatura em 2 de dezembro de 2017, pela Rede. De acordo com o último Datafolha, Marina está em terceiro lugar, atrás de Bolsonaro e Ciro Gomes.

Uma das dificuldades que deve enfrentar é o pouco tempo de propaganda no rádio e na TV. Ela enfrenta ainda, segundo o Datafolha de setembro, uma rejeição de 29% - é a segunda candidatura mais rejeitada.

O partido conta com uma bancada de apenas três congressistas. Assim, Marina não tem a garantia de participação nos debates. Caberia às emissoras a escolha de convidar ou não a candidata.

A ex-ministra também tem respondido a críticas de ser omissa em momentos em que muitos aguardavam um posicionamento firme sobre temas centrais ou disputas políticas, e de ter declarado apoio ao hoje investigado senador Aécio Neves (PSDB-MG) no segundo turno das eleições de 2014.

Avessa a embates e a ataques, a própria candidata avalia que será uma campanha extremamente agressiva. Seu vice será Eduardo Jorge, do Partido Verde.

Marina, que tem 60 anos, disputou as duas últimas eleições presidenciais, uma pelo PV e outra pelo PSB. Ela começou a carreira política no PT - onde chegou a ser ministra do Meio Ambiente, durante o governo Lula (2003-2010).

 

Ciro Gomes em entrevista à BBC News Brasil em maio de 2017
Temperamento explosivo de Ciro e a dificuldade de se formar uma coalização de centro-esquerda são desafios a serem enfrentados pelo candidato

Ciro Gomes (PDT)

A candidatura presidencial do ex-ministro e ex-governador do Ceará Ciro Gomes, de 60 anos, foi confirmada em março de 2018 pelo PDT e oficializada no fim de julho.

Por enquanto, é o nome ligado à esquerda que vai melhor nas pesquisas. Segundo o Datafolha de setembro, Ciro aparece em segundo lugar, com entre 13% das intenções de votos.

Ainda segundo o Datafolha, o pedetista tem uma rejeição de 20% do eleitorado - abaixo da rejeição de Bolsonaro (43%), Marina (29%), Alckmin (24%) e Haddad (22%).

A falta de aliados para fortalecer a candidatura é um obstáculo para Ciro - ao final da temporada de convenções partidárias, ele acabou isolado. Foi preterido pelo PSB (que optou pela neutralidade após um acordo com o PT), e pelo PC do B, que fechou aliança com os petistas.

Sua vice será do próprio PDT, a senadora Kátia Abreu.

O estilo franco e impulsivo que há anos rende a Ciro a fama de "destemperado" pode ser um empecilho. "Todo mundo já teve uma palavra mal dita ou foi mal interpretado", pondera Lupi.

Ciro já foi prefeito de Fortaleza, deputado estadual, deputado federal, governador do Ceará e ministro dos governos Itamar Franco (Fazenda) e Lula (Integração Nacional).

Passou por sete partidos em 37 anos de vida pública. Já concorreu à Presidência duas vezes, em 1998 e em 2002.

Alvaro DiasSenador Álvaro Dias ainda tenta se tornar mais conhecido entre o eleitorado

Álvaro Dias (Podemos)

O ex-tucano Álvaro Dias, de 73 anos, ganhou fama no Senado por ser um ferrenho crítico da gestão petista e integrante ativo de CPIs (Comissões Parlamentares de Inquérito).

Por anos foi filiado ao PSDB. No ano passado, ele trocou o PV pelo Podemos - antigo PTN - com a expectativa de se lançar candidato, mas ainda enfrenta o desafio de se tornar um nome mais conhecido nacionalmente, capaz de conseguir mais que os 3% de votos sinalizados pelas pesquisas. Ele tem uma rejeição de 14%.

Tem 40 segundos no rádio e na televisão, porque fechou uma aliança com o PRP, PSC e PTC.

Álvaro Dias cursou História e está no quarto mandato consecutivo de senador. Já foi vereador, deputado estadual, deputado federal e governador do Paraná. É de uma tradicional família de políticos do Estado do Paraná.

João Amoêdo fala ao microfone
Um dos criadores do partido Novo, João Amoêdo deve ser o nome da primeira disputa presidencial da legenda

João Amoêdo (Novo)

O ex-executivo do sistema financeiro João Amoêdo, de 55 anos, se afastou da presidência do partido que ele próprio ajudou a criar em 2015 para ser lançado pré-candidato à Presidência. Pelas regras do Novo, candidatos não podem exercer funções partidárias nos 15 meses anteriores à eleição.

Amoedo enfrenta o desafio de se fazer mais conhecido entre os eleitores e tentar ajudar o Novo a eleger representantes nas Assembleias e na Câmara.

Com cerca de 3% das intenções de voto, segundo o Datafolha de agosto, Amoêdo era o segundo candidato mais desconhecido do país - só perde para Vera Lúcia (PSTU). Segundo o Datafolha, 73% dos entrevistados dizem que não o conhecem nem ouviram falar dele. É muito, mas menos que antes. Na pesquisa de novembro, ele era desconhecido por 84% dos brasileiros.

Amoêdo tem em viajado o país para fazer palestras na tentativa de tornar-se mais popular e sua campanha tem ganhado força nas redes sociais.

Novato em eleições gerais, o partido de Amoêdo conta com o apoio de profissionais liberais, de economistas que ocuparam cargos importantes no governo de FHC, como Gustavo Franco, e tem entre seus quadros o ex-treinador de vôlei Bernardinho. A legenda ainda tenta atrair tucanos descontentes que estão deixando o partido.

A maioria dos quadros do partido, contudo, também é neófita das urnas.

Como seu partido foi criado depois das eleições de 2014, não tem nenhum congressista. Por isso, Amoêdo não tem direito de participar de debates. A presença do candidato fica a critério dos organizadores. O candidato tem apenas cinco segundos na propaganda eleitoral gratuita na TV.

Formado em Engenharia Civil e Administração, Amoêdo começou a carreira profissional trabalhando para bancos e chegou a ser vice-presidente do Unibanco e membro do conselho de administração do Itaú-BBA. Atualmente, é sócio do Instituto de Estudos de Política Econômica/Casa das Garças.