Leigos e Monges no Budismo Theravada - Caarapó Online

Caarapó - MS, sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020


Leigos e Monges no Budismo Theravada

Este artigo mostra a diferença entre pessoas leigas e monásticas no Budismo da Escola Theravada.

Publicado em: 22/06/2018 às 07h18

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Cada religião possui uma hierarquia, com o propósito de organizar a fé, a crença e os estudos. A igreja católica tem o Papa (Bento XVI), seus cardeais, bispos, diáconos, padres e missionários. Nas outras religiões há também sua hierarquia própria, pastores (evangélicas), o imã (islamismo) ou supremo pontífice (judaísmo), e assim por diante. E como é essa organização dentro do Budismo Theravada?

Antes, convém explicar que no Budismo, há três escolas principais, subdivididas em dezoito linhagens de atitudes e comportamentos frente aos ensinamentos deixados por Buda. As escolas são as seguintes: Mahayana, Vajrayāna e Theravada, sendo a última, a única das linhagens que atualmente ainda segue os ensinamentos verdadeiros e diretos que foram deixados por Siddharta Gautama, o Iluminado, mais conhecido por Buda. Para esclarecer então, vamos tomar por base, para evitar desconforto religioso, a escola Theravada, ou escola dos Anciãos. Este nome foi adotado, devido ao grande respeito que antes existia com relação aos idosos, que devido a longevidade, tinham sabedoria, compreensão, paciência e tolerância com os mais novos.

Como não há no budismo mandamentos, por ser uma crença sapiencial (pode ser comprovada pela ciência) ao invés de ser formulativa (crença numa divindade com orações, penitências, rezas, regras e mandamentos bem determinados), há os preceitos que devem ser seguidos pelos que adotam o budismo como sua religião.

Os cinco preceitos que todo budista leigo deve seguir são: 1) Abster-se de tirar a vida de todo ser que respire (em resumo, não matar, inclusive insetos, peixes e formigas); 2) Assumir o preceito de não pegar o que não lhe pertence (isto inclui idéias, bens perdidos e achados, bens materiais e imateriais); 3) Abster-se dos prazeres sensuais, ou seja, não se deleitar com tudo que possa afetar o olfato (perfumes e odores prazerosos), a audição (músicas, diversões audíveis), o paladar (delicias alimentares, alimentos quentes ou frios, inclusive assados e grelhados), o tato (sentido pela pele e pelas mãos, tal como maciez, textura, etc.), a visão (imagens que possam gerar pensamentos de prazer, deleite e luxuria) e por último a mente (pensamentos e idéias). 4) Sempre dizer a verdade, seja qual for a situação, embora haja casos que a omissão ou a quietude, possam falar melhor que a boca e finalmente; 5) Abster-se de ingerir qualquer substância que possam causar violência entre pessoas ou prejudicar o bom funcionamento do organismo (inclui-se bebidas alcoólicas, fumos de todo tipo e drogas naturais e químicas embriagantes que possam afetar o cérebro).

Estes cinco preceitos anteriores são os preceitos iniciais a serem praticados pelos budistas, ainda há mais cinco que devem ser seguidos pelos noviços (aspirante a monge) monges e monjas, são estes os preceitos: 6) abster-se comer após o meio-dia (podendo se alimentar desde cedo até este horário); 7) abster-se de dançar (mesmo sozinho), cantar músicas quaisquer (hinos e cânticos são permitidos) e diversões (games, shows, espetáculos, manifestações culturais ou não, filmes, teatros, jogos esportivos); 8) assumir o preceito de abster-se de usar colares, brincos, pulseiras, enfeites (tiaras, presilhas, bandanas, turbantes, piranha, turbante, etc.), perfumes (adocicados, frutados, todos que despertem sensações prazerosas) e embelezar o corpo (bronzeamento, maquiagens, pinturas, etc); 9) assumir o preceito de dormir em camas baixas ou no chão (não dormir em camas altas, grandes e macias) e por último; 10) assumir o preceito de não aceitar ouro (dinheiro, joias, ornamentos, objetos, pagamentos) e nem prata (joias, pedras preciosas, moedas, enfeites, presentes ornamentais).

Na tradição Theravada, temos os monges (em Páli: bhikkhus), monjas (bhikkhunis), noviços (samanera) ou aspirante a ser monge (ficando até um ano em treinamento antes de ser ordenado). O abade é o diretor geral do mosteiro onde os monges vivem, separados das monjas, cuja responsabilidade é gerir o mosteiro, com os mantos de cor ocre, instalações diversas, organizar a limpeza, os retiros curtos (até três dias), longos (até 30 dias), fazer as compras de materiais, bens e serviços, e ainda gerenciar as doações financeiras e materiais que o mosteiro venha a receber.

Os monges seguem além dos dez preceitos antes descritos, seguem ainda 227 regras (Páli: pāṭimokkha) que devem ser observadas na sua conduta no monastério. Sempre devem estar cientes que precisam de comida, roupas, remédios e um abrigo, devido a chuva e frio.

A atitude de doar, “danna” (em Páli), é muito louvada por Buda, este ato contribui bastante para o sucesso da pessoa bem viver neste mundo ou no próximo mundo.

Toda generosidade (dana), material ou espiritual vindo de alguém que pratique o budismo, com o intuito de ajudar ou prover alguma melhora mesmo que por curto tempo (prato de comida) ou por longo tempo (habitação ou roupas), é uma das grandes ações meritórias que se pode fazer. Concluindo, na linhagem Theravada, temos apenas, monges, monjas, noviços, abades e leigos. Estas pessoas compõem o grupo de pessoas do tripé da fé budista, que são: o Buda, os Ensinamentos (em Páli: Dhamma) e o Sangha (comunidade de budistas).

Páli era linguagem utilizada, por Buda, nos reinos locais e nas escrituras Budistas, nos séculos V (a.C.) a I (a.C.), na Índia e arredores.

 

(*) EDMIR TERRA, Professor Assistente na Facet/UFGD. Contato ou dúvidas, escreva para: edmirterra@gmail.com