A diferença entre a vida e a morte na BR-163/MS - Caarapó Online



A diferença entre a vida e a morte na BR-163/MS

Stephen Reverdito é médico e coordenador do Serviço de Atendimento ao Usuário (SAU), e integrante da equipe MS Rescue Team, campeã mundial de resgate veicular na categoria desenvolvimento rápido

Publicado em: 22/03/2017 às 17h11

(*) Stephen Reverdito - Sato Comunicação

Foto: divulgação

Em casos de acidente com trauma, a diferença entre a vida e a morte pode estar na rapidez do atendimento às vítimas e na eficácia dos procedimentos de atendimento. Segundo conceito internacionalmente aceito, os primeiros 60 minutos são fundamentais. É a chamada “Hora de Ouro”, ou “Golden Hour”. A expressão foi originalmente cunhada em inglês pelo médico norte-americano, Adams Cowley (25/07/1917 – 27/10/1991).

Cowley é considerado um dos pioneiros na medicina de emergência, tendo sido fundador do primeiro centro de trauma dos Estados Unidos, em 1958. Ele foi o primeiro médico a identificar que, quanto mais rápido e eficaz for o atendimento médico, maior é a chance de sobrevida dos acidentados.

Mas o que é preciso para garantir o atendimento no menor prazo possível em casos de acidentes?

O primeiro é fazer com que equipes especializadas e bem treinadas alcancem a vítima o mais rápido possível. Na sequência, é determinante identificar as lesões e dar início ao tratamento segundo os mais modernos conceitos de Atendimento Pré-hospitalar. A partir do momento em que a vítima esteja estabilizada, com eventuais hemorragias controladas e vias aéreas desimpedidas, é imobilizada e transportada em condições seguras ao hospital mais próximo.

É por isso que o treinamento constante, a permanente reciclagem de conhecimentos e o adequado aparelhamento de unidades móveis de APH é tão importante. É a eficácia desse atendimento que tem permitindo criar condições iniciais que podem levar a salvar tantas vidas no mundo inteiro.

Aqui em Mato Grosso do Sul, um esforço muito grande tem sido realizado pelo Corpo de Bombeiros Militar do Estado, pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, SAMU, e nos últimos dois anos, pelo APH do Serviço de Atendimento ao Usuário da CCR MSVia. Temos buscado trabalhar em conjunto, compartilhando conhecimentos, técnicas e equipamentos que permitam aumentar nossa eficácia nos atendimentos aos traumas no Estado.

Recentemente, no mês de outubro, uma equipe de resgate de MS da qual orgulhosamente participei, sagrou-se campeã na prova de manobra rápida de 10 minutos, no Desafio Mundial de Resgate. A competição, que tem por objetivo difundir novas técnicas de resgate, aconteceu em Curitiba e reuniu equipes de 18 países. O excelente desempenho da nossa equipe, composta por Bombeiros, SAMU e CCR MSVia deveu-se especialmente às muitas horas que temos empregado em treinamento conjunto, visando a troca de experiências e a eventual necessidade de atuarmos juntos nas ruas, avenidas ou na própria BR-163/MS.

Nosso maior desafio continua sendo atacar as variáveis que levam aos acidentes, como a imperícia e a imprudência. É fundamental que continuemos a executar campanhas educativas que busquem contribuir para acabar com a insanidade no trânsito. Mas os acidentes vão continuar a ocorrer e é preciso, também, equipar e treinar permanentemente as equipes empenhadas no dia a dia de salvar vidas.

Aproveito para fazer um apelo aos motoristas de MS. Quando uma unidade de resgate se aproximar, não atrapalhe seu trajeto, abra caminho. Quanto mais rápido chegarem, maior será a eficácia no atendimento. Com certeza, você estará ajudando profissionais sérios a salvarem vidas.