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CAARAPÓ - MS, terça-feira, 18 de janeiro de 2022


Revisão de salários faz reajuste chegar a 40% em várias carreiras de servidores de MS

Soldados podem ter incremento de até 42%, já administrativo da educação deve bater os 33%

Publicado em: 07/12/2021 às 06h05

Nyelder Rodrigues

A revisão de carreiras promovida pelo governo do Estado no fim de novembro e começo de dezembro, todas sob o crivo da Assembleia Legislativa, vai permitir que várias categorias consigam reajustes salariais acima da média geral, que, conforme sancionado na quinta-feira (2) pelo governador Reinaldo Azambuja (PSDB), fica na casa dos 10%.

Para alguns, esse índice vai passar dos 40% por conta da reposição salarial promovida nas alterações dos planos de cargos e carreiras dispostas em 12 projetos de lei.

“Nos foi posto sem muito diálogo esse reajuste, então levantou alguns temores, mas, por sorte, um deles, de incorporação do abono de R$ 200, se efetivou na base salarial, entrando assim o cálculo do reajuste geral de 10% em cima dele”, explica o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Seguridade Social (Sintss), Ricardo Bueno.

Que representa os servidores da área da saúde pública no Estado. De acordo com o sindicalista, na área da saúde, os reajustes acabaram variando entre 18% e quase 40% por causa das incorporações, que incluem, além do abono, também o valor repassado como vale-alimentação.

“O índice não foi o ideal perante os 7% de estagnação dos salários, mas foi algo que até nos surpreendeu. Mas ainda temos muito a lutar e procurar melhorar”, indica. Por ora, Bueno, que também é o coordenador do Fórum dos Servidores, ainda não tem um estudo detalhado de quais as categorias com maior e menor reajuste.

“Agora é que vamos iniciar esse estudo para tentar identificar isso”.

SEGURANÇA

Já entre os policiais militares e bombeiros, os ajustes permitiram que a média salarial dos membros das forças de segurança ostensiva e salvamento de Mato Grosso do Sul tivessem uma elevação significativa se comparada ao valor anterior: 27%.

No caso dos soldados, que compõem a maioria da tropa e estão ligados ao trabalho das ruas, o reajuste chega a 42%.

“Não houve uma negociação geral de fato, mas estamos há bastante tempo nos bastidores atuando para conseguir melhorias. São sete anos sem mudanças e precisávamos melhorar. Enxergamos que não foi bem um aumento, mas, sim, uma reposição das perdas acumuladas”, opina o presidente da Associação de Cabos e Soldados (ACS), o cabo da Polícia Militar, Mário Sérgio do Couto.

O salário de um soldado, a partir de 1º de janeiro do ano que vem, será de R$ 5.005 em Mato Grosso do Sul, por exemplo. Na Polícia Civil, a média estipulada pelos Sindicatos dos Policiais Civis (Sinpol) é de 15%, em que a reivindicação era de 30%.

Mesmo assim, os ganhos são significativos, passando um agente de polícia judiciária a receber, inicialmente, R$ R$ 5.295 – ao fim da carreira esse valor pode chegar a R$ 12 mil, enquanto que nos soldados o máximo é de R$ 8.958, já contando com promoção para subtenente em última classe.

EDUCAÇÃO

Por fim, na área da educação, os principais contemplados nessa “leva” de reajustes são os servidores administrativos – ou seja, os que trabalham em escolas e em setores não pedagógicos.

“Os que terão os maiores reajustes são aqueles com 20, 15 anos de serviço. Acima de 10 anos, já começa a sentir a diferença. Os que estão em início vão receber valores mais baixos, perto dos 10% gerais anunciados pelo governo e mais a incorporação do abono. Somado, isso deve dar uns 12%”.

Comenta o presidente da Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul (Fetems), Jaime Teixeira.

Sem especificar quais cargos e funções, Jaime revela que os reajustes para os administrativos da educação vão variar em 14%, 15%, 17% e até 33%.  Assim como nas demais carreiras – atualmente, o Poder Executivo estadual engloba 43 delas –, os servidores aposentados e os pensionistas dessa área também serão contemplados com as mudanças.

No Sindicato dos Trabalhadores e Servidores da Secretaria de Administração (Sindsad), a palavra da vez é seguir negociando incrementos salariais e outras demandas das várias categorias representadas pela entidade, entre elas servidores de Uneis, Procon, Inmetro e até de Fundação do Trabalho.

A maior parte desses foi contemplada no reajuste geral de 10%, mas as conversas pedindo melhorias prosseguem até que haja algum consenso, conforme apurado pela reportagem. O prazo final é em abril de 2022, quando não podem ser feitas mais mudanças salariais por causa das eleições.