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CAARAPÓ - MS, sábado, 4 de dezembro de 2021


Rio de Janeiro sai na frente na dispensa do uso obrigatório de máscaras

Governador fluminense sanciona a lei estadual que desobriga o uso da proteção facial em locais abertos. Segundo infectologista, medida pode passar a falsa impressão de que a pandemia está perto do fim

Publicado em: 28/10/2021 às 05h53

Gabriela Bernardes

Ainda sem uma orientação federal sobre a medida, o estado do Rio de Janeiro deu o pontapé na flexibilização do uso de máscaras em locais abertos. O governador do estado, Cláudio Castro (PL), sancionou o projeto de lei que desobriga o uso de máscaras ao ar livre, diante do avanço da vacinação contra a covid-19. Especialistas afirmam que a adoção da medida deve ser feita com cautela, pois, apesar do avanço da vacinação, o Brasil ainda não atingiu a imunidade coletiva.

Na capital fluminense, a prefeitura publicou decreto que flexibiliza o uso do equipamento de proteção individual. Na norma, o prefeito Eduardo Paes (PSD) mantém o uso de máscaras em ambientes fechados e em transportes públicos. A flexibilização dos itens de proteção facial era esperada desde o início da semana, quando a cidade do Rio de Janeiro cobriu 65% da população com duas doses da vacina.

No Distrito Federal, o governador Ibaneis Rocha (MDB) autorizou a dispensa da máscara em local aberto a partir do dia 3. No entanto, o estado de São Paulo, ssim como outros, ainda não adotou a medida.

O médico infectologista Julival Ribeiro explica que o Brasil já observa uma melhora na situação pandêmica. Mas chama atenção para as disparidades entres os estados. Ele também alerta para a falsa ideia de um suposto fim da pandemia. “O que me preocupa na liberação (de máscaras) nesse momento é que as pessoas passem a entender que a pandemia terminou — o que não é uma realidade — e deixem de usar as máscaras onde devem, como, por exemplo, em locais fechados e sem ventilação”, pontua.

Ribeiro afirma que é preciso manter a vigilância. “Já que foi feito isso aqui em Brasília e no Rio de Janeiro, temos que começar, a partir da data da liberação, a ver quais são os efeitos que podem ocorrer: se vai aumentar o número de casos, ou o número de hospitalizações”, diz.

O infectologista ressalta, ainda, que o país ainda não alcançou uma imunidade coletiva. “Uma outra análise que temos que fazer é que vamos começar a ver muitas pessoas completando seis meses da segunda dose e que necessitam de um reforço. […] Nós não temos ainda em torno de 80 a 85% de toda a população vacinada, que é quando se sonha em relação à imunidade coletiva”, esclarece.