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CAARAPÓ - MS, quinta-feira, 9 de dezembro de 2021


Investidores de Mato Grosso do Sul na bolsa de valores(B3) triplica em dois anos

Em 2019, 13.280 pessoas investiam na B3; neste ano, são 38.449

Publicado em: 19/10/2021 às 07h40

Súzan Benitez

Nos últimos dois anos, o número de sul-mato-grossenses que passaram a investir na Bolsa de Valores quase triplicou. Conforme os dados da B3, o número de investidores de MS era de 13.280 pessoas em setembro de 2019. No mesmo período de 2020 foram registrados 28.882 investidores, e no mês passado o número saltou para 38.449 investidores – crescimento de 189,52% no intervalo de dois anos.

Para o assessor de Investimentos da empresa Expertise, André Pauletto, dois pontos influenciaram o aumento da entrada de novas pessoas no mercado financeiro.

“Nos últimos dois anos, a gente viu a renda fixa, principalmente utilizando como referência a Selic [taxa básica de juros], que é o retorno de curto prazo, cair muito, e foi um gatilho para que os investidores que estavam alocados nesses títulos começassem a olhar a Bolsa de Valores", ressalta.


"O outro ponto tem a ver com a parte de educação e conhecimento de que não existe só previdência privada, poupança e outras opções bancárias”, completa. Segundo o assessor de Investimentos Eliseu Nantes, outros fatores também ajudaram a ampliar o número de interessados no mercado de ações. “Primeiro, que o Brasil está se desenvolvendo, o conhecimento é maior com muitos blogs, sites, corretoras que vieram fortes nos últimos anos, isso fez com que o assunto fosse mais discutido", analisa.

"Depois, a pandemia derrubou os mercados e tornou muito baratas ações que ficaram boas de comprar. E a queda da Selic fez com que as aplicações mais tradicionais deixassem de ser atrativas”, completa.

CUIDADOS ANTES DE ENTRAR

Os especialistas alertam que é preciso tomar algumas precauções na hora de começar a investir. Entre elas, ter a diversificação dos tipos de investimento, conhecer seu perfil e, principalmente, saber que não há investimento milagroso.

“O principal é ter consciência de que ela vai atribuir risco. Tanto investimento nos fundos imobiliários quanto nas ações têm um risco incorporado. Elas são voláteis, caem e sobem mais do que os títulos em rendas fixas, por exemplo", destaca Pauletto.

"O indicado é primeiro a pessoa fazer uma reserva de emergência nos títulos de renda fixa que dão previsibilidade e depois ela analisar o seu perfil de risco e o porcentual da carteira que pode encaixar em investimentos na Bolsa de Valores”, completa.

Nantes ressalta que o mercado de ações não pode ser encarado como um cassino, em que pode haver ganhos imediatos. “Há um pecado grande para quem entra na bolsa: a ideia de que é muito fácil ganhar dinheiro com ações, isso é uma grande mentira, porque não existe nada milagroso. É preciso entender que o mercado não é uma roleta, um cassino, ali você tem de ter um entendimento básico”.

Na sexta-feira (15), a B3 terminou o dia perto da máxima, com alta de 1,29%, aos 114.647,99 pontos. A bolsa fechou a semana com alta de 1,61%, o primeiro ganho semanal desde o intervalo entre 20 e 24 de setembro. No mês, o Ibovespa avança 3,31%, restringindo as perdas do ano a 3,67%.

Apesar das oscilações nos últimos meses, especialistas dizem que ainda é hora de investir. “Todo momento é bom para investir. Agora, por exemplo, está muito interessante com a bolsa lá embaixo, para entrar no mercado de ações é um bom ponto de entrada. A Selic está a 6,25% e deve chegar a 8% até o fim do ano e acaba abrindo opção dos pré-fixados também. Sempre tem que ter diversificação”, finaliza Nantes.

Pauletto também ressalta ser atualmente uma boa hora para começar. “É um cenário interessante para o investidor se posicionar. Em ambientes um pouco mais desafiadores a gente pode ver momentos bons de se investir. Enquanto em cenário de muita euforia pode ser um pouco mais perigoso. O investidor precisa ter o cuidado de diversificar sua carteira e respeitar seu perfil”, aconselha.

PERFIL DE CADA INVESTIDOR

Conforme os dados da B3 (bolsa de valores), em 2019, o montante em custódia referente a investimentos de sul-mato-grossenses era de R$ 760 milhões. Em 2021, passou a R$ 2,270 bilhões.

A maioria dos investimentos é realizada por pessoas do sexo masculino. Em 2019, o número de homens de MS que investiam na B3 era 10.583; neste ano, o total subiu para 28.310. Já a quantidade de mulheres que investiam há dois anos era 2.697, e em 2021 são 10.139.

Entre aqueles que resolvem se arriscar nesse mercado, a intenção é sempre aumentar a renda ou multiplicar o patrimônio. O analista de Sistemas Luís Mariotti, 57 anos, começou a investir no fim de 2019, buscando rendimentos melhores do que os tradicionais.

“Acredito que no início perdi mais do que ganhei, um pouco em função do aprendizado, um pouco em função das inúmeras oportunidades que a bolsa proporciona. Quanto a resultados, acredito que já tive mais ganhos que perdas, em função do tempo, mas o início é bem difícil. Tem que ter tempo e dedicação para estudar muito, encarar como uma profissão, onde é necessária uma formação”.

Conforme o consultor de negócios Welitton Perroni, 29 anos, seu objetivo é estruturar um certo patrimônio. “Hoje, eu trabalho em uma multinacional como consultor, a bolsa serve para mim como um ganho de patrimônio e como um local que vai me dar oportunidade de ter liberdade financeira. Quando você sai de uma renda fixa, existe o processo de oscilação do mercado, a ação perde e ganha valor", ressalta o consultor, que também começou a investir em 2019.

"Meu objetivo é sempre continuar fazendo aportes mensais para capitalizar e fazer esse montante. Eu perderia se em momento de baixa eu vendesse, mas esses ativos estarão comigo por um bom tempo porque eu sou um investidor a longo prazo”, completa.

Um campo-grandense de 36 anos, que preferiu não se identificar, atua no mercado mais dinâmico, chamado de day trade, que é o investimento de curtíssimo prazo.

“Eu comecei a comprar títulos do Tesouro na época [2015] em que os juros estavam altos e depois comecei a investir em ações, com o passar dos anos vi que com o meu capital não conseguiria viver de bolsa, mas que conseguiria um bom complemento de renda. Hoje, opero no day trade. Em seis anos consegui triplicar meu capital”, conta.