Preso empresário que montou esquema de desvio de R$ 112 milhões no SUS no AM - Caarapó Online

CAARAPÓ - MS, domingo, 19 de setembro de 2021


Preso empresário que montou esquema de desvio de R$ 112 milhões no SUS no AM

Esquema desviou 25% dos recursos da saúde e atinge a candidatura de Marcelo Ramos (PR)

Publicado em: 23/07/2021 às 09h21

R7

A operação Maus Caminhos, da Polícia Federal, da CGU (Controladoria Geral da União) e da Receita Federal, prendeu o médico Mouhamad Moustafa, suspeito de comandar um esquema de desviou de dinheiro da área de saúde no Fundo Estadual de Saúde do Estado do Amazonas.

As investigações apontam que, em dois anos, foram desviados mais de R$ 220 milhões, durante a gestão do governador José Melo (Pros). O Dr. Moustafá é ligado ao senador Omar Aziz (PSD), que apoia a candidatura de Marcelo Ramos (PR) para a prefeitura de Manaus (AM). O valor representa um quarto de todo o dinheiro destinado pelo governo federal, pelo SUS, para o estado. Em dois anos, Moustafa aumentou o patrimônio em mais de 180 vezes.

O desvio era feito por meio de uma organização sem fins lucrativos, ONG chamada de  Instituto Novos Caminhos, cuja presidência da entidade é o Dr. Moustafa, que contratava empresas terceirizadas, também ligadas ao médicos, para serviços superfaturados, pagos em duplicidade ou inexistentes.

O Instituto Novos Caminhos recebeu, em abril 2014, na gestão de Melo, a qualificação do Governo do Estado do Amazonas para administração das unidades saúde UPA Campos Sales, em Manaus, Centro de Reabilitação em Dependência Química – CRDQ, em Rio Preto da Eva e a UPA 24 Horas e Maternidade Enfermeira Celina Villacrez Ruiz, em Tabatinga.

As prisões foram feitas na terça-feira, dia 20, e os documentos apreendidos confirmam um desvio de R$ 112 milhões em recursos públicos para a área de saúde. O dinheiro foi usado para comprar imóveis, carros de luxo e helicópteros. Só os imóveis somam mais de R$ 50 milhões.

“Fica muito claro que o grupo ostentava elevado padrão de luxo muito acima da realidade de qualquer brasileiro e brasileira. Quase que algo cinematográfico, hollywoodiano”, disse Marcelo Rezende, superintendente da polícia federal (DPF) no Amazonas.

Uma das presas na operação [que não teve o nome revelado pela DPF] era ex-servidora da Salvare e é sócia-administradora da Total Saúde. Uma cunhada do médico é sócia-administradora da Salvare e uma irmã dele é sócia-administradora da Simea, o que indica o controle de Moustafa sobre as entidades envolvidas no esquema criminoso.

As fraudes envolvem ainda, além dos serviços médicos e de administração, a prestação dos serviços auxiliares de saúde, como lavanderia, limpeza, refeições hospitalares e portaria.