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Caarapó - MS, segunda-feira, 19 de abril de 2021


Especialistas apontam os principais impactos do ensino não presencial

Isolamento domiciliar, mudança de rotina e falta de contato com o ambiente escolar influenciam na aprendizagem de crianças e adolescentes

Publicado em: 05/04/2021 às 06h19

Rafaela Moreira

Uma das medidas adotadas para conter o avanço da pandemia da Covid-19 foi a alteração da metodologia de ensino nas escolas, as aulas foram suspensas e os professores passaram a adotar o ensino a distância. Com isso, toda a comunidade escolar precisou se adaptar a uma nova rotina de estudos, com o uso de telas e os colegas distantes, que tem causado impactos na aprendizagem de milhares de crianças e adolescentes.

Conforme uma pesquisa realizada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em conjunto com a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, crianças da pré-escola entre quatro e cinco anos estão apresentando sinais de déficit no desenvolvimento da expressão oral e corporal, devido ao período da suspensão das aulas presenciais.

De acordo com os dados do Censo Escolar, ao todo, 4 milhões de crianças estão matriculadas em pré-escolas no país. A falha na aprendizagem foi detectada por profissionais de educação ouvidos pela pesquisa, para 78% dos professores, os pequenos estão se desenvolvendo menos do que deveriam. A educadora Rosana da Cruz destaca que atividades como rodas de conversa, leitura e música não são desenvolvidas plenamente no ambiente domiciliar, atrasando o desenvolvimento dos pequenos.

“Atravessamos um momento muito delicado na educação brasileira, a escola ocupa um lugar fundamental na vida das crianças e adolescentes, nem tudo pode ser substituído por atividades pelas telas. É nítido o desânimo dado a algumas crianças, após tantos meses nesse formato, todos estão esgotados”, relatou a pedagoga.

Rosana destaca que um dos principais impactos do ensino remoto é a impossibilidade de se ter relações sociais, segundo ela, para aprender, é necessário ter os encontros e as trocas entre os colegas.

“Apesar de estarmos há mais um ano no formato remoto, tudo ainda é novidade, tanto alunos quanto professores tiveram que sair da zona de conforto e superar as adversidades, com certeza o que mais faz falta é a rotina e as interações que só é possível ao vivo”.

Outro aspecto em destaque é que são poucos os professores que tiveram a formação adequada para lecionar a distância. Preparar uma aula remota é bem diferente da prática presencial de sala de aula, o que pode ser um problema.

A pesquisa da UFRJ também aponta que a diferença no ambiente de aprendizagem dentro de casa chega a 20 pontos percentuais entre famílias ricas e pobres. Atividades como pintar, desenhar, recortar papéis e ouvir histórias são mais frequentes em lares de nível socioeconômico mais alto, e mais raras nos grupos mais vulneráveis.

A doutora em educação Ângela Costa disse em entrevista que as consequências do ensino à distância podem ecoar por anos, impactando diretamente a educação de milhares de crianças e jovens.

“Nós não temos tecnologias suficiente e adequada para atender todos os nossos alunos, as crianças que só tem um celular em casa e que a internet nem funciona, estuda como?! No Brasil o ensino a distância (EaD) foi uma lástima, o impacto foi aumentar a desigualdade que já existia na educação brasileira”, destacou.