Ao invés de casa, Marcio fez jardim 'que acalma' em terreno que sobrou na capital - Caarapó Online

Caarapó - MS, domingo, 18 de abril de 2021


Ao invés de casa, Marcio fez jardim 'que acalma' em terreno que sobrou na capital

Investimento a longo prazo, paixão pela natureza fez lote vazio de 33 anos virar “jardim da Alice” exclusivo

Publicado em: 16/03/2021 às 06h25

Raul Delvizio

Ao invés de construir uma residência em terreno baldio de bairro nobre da Capital, Márcio Martins precisou de quase 30 anos para realizar pacientemente o sonho guardado de montar um jardim. O lote, localizado na região da Via Park, entre o Shopping Campo Grande e a avenida Mato Grosso, virou praticamente um quintal exclusivo – “o meu jardim da Alice”, brinca. Plantando ali e acolá, a jornada do que um dia se tornará um mini-bosque particular já dura 4 anos.

“Aqui temos um pouco de tudo. Palmeiras areca de locuba, leque e washingtonia. Nas folhagens, orelha de elefante não falta. Ainda, dos pés frutíferos, amora portuguesa, limão siciliano, taiti e galego. Até oliveira temos, e que inclusive já deu fruto duas vezes. Mas as flores é que são poucas, praticamente só buquê-de-noiva e orquídeas. Dá muito trabalho, preferimos as sazonais”, diz Marcio, 63 anos, dono de salão de beleza.

A ideia foi conjunta com seu xará Marcio Benevides, cabeleireiro de 62 anos. Juntos, os dois sócios compraram há exatos 33 anos o terreno numa época que nada tinha por lá – “tudo era mato e brejo”. Tanto é que o valor sai por US$ 5 mil (isso mesmo, em doláres), pedido do ex-proprietário. “Estamos falando de meados dos anos 90, então o real ainda era equivalente ao preço do dólar americano”, explica Marcinho.

O lote até então serviria como o novo espaço para atender a recém-formada “freguesia” de ambos, mas acabaram abandonando o plano. Conseguiram, entretanto, o ponto na rua 15 de novembro, onde permanecem há 29 anos. Com isso, o terreno no Vivendas do Bosque ficou parado. Até que um dia tudo mudou.

“Minha mãe acabou falecendo e eu fiquei um pouco perdido. Todo domingo era ‘dia de mamãe’, quando passávamos o dia inteiro juntos. Mas quando ela morreu, isso me fez muita falta. Então eu, por uma questão emocional, precisava preencher o vazio com alguma coisa produtiva, bonita e – porque não – feliz”, conta Marcio Martins.

 

Os dois brincam com água junto da pequena Helena, a neta de apenas 2 aninhos de Benevides (Foto: Raul Delvizio)

 

“Uma amiga floriculturista sugeriu à gente fazer alguma coisa lá. Afinal, já tínhamos o gasto do lote na prefeitura, sem citar que todo ano, pelo menos duas vezes, mandávamos carpir o mato alto e tirar entulho jogado. Matutamos a ideia por dois meses até que resolvemos colocar em prática”, afirma.

E continua: “ela inclusive ajudou muito no começo, doando plantas e materiais. Assim, sem nenhum projeto paisagístico, fomos montando o jardim conforme bem achássemos. Colocávamos cada planta uma a uma, somente o que gostássemos. Confesso que até exagerei um pouco, pois até conta semanal em floricultura fizemos”, admite.

Sem planejamento técnico, o jeito foi apelar para as inspirações que viam em revistas de arquitetura e até mesmo nas viagens que faziam. “Uma vez que fui à São Paulo fiquei apaixonado por um portão de antiquário que encontrei nos meus passeios. Não pensei duas vezes, comprei e trouxe à Campo Grande. Fiz questão de colocar bem na esquina, para ser a entrada principal do jardim. Ainda, teve até muda de plantão que veio de Belo Horizonte. Pedi para uma senhorinha e ela gentilmente cedeu uma. Fiquei maravilhado com a flor”.

Sendo espaço de jardim, é claro que dá trabalho. E custo: “já teve vezes só da conta de água vir R$ 800. Sem falar do IPTU, valor de cada planta comprada e do jardineiro mensal. Pelo menos três vezes por semana venho aqui bem cedinho, às 5h, molhar o jardim inteiro. Demora um total de 4h30m”, ressalta. E acrescenta: "mas me acalma. Era o respiro que precisávamos".

 

No local não houve projeto paisagístico, apenas esforço conjunto em construir um mini-bosque particular (Foto: Raul Delvizio)

 

E o que a vizinhança acha da mini-selva improvisada? “Super agradecem. Tem vizinho que fica ‘bisbilhotando’ pela entrada e adora ter a vista do nosso jardim pela janela de casa. Engana-se quem vê pela rua e acha que aqui é a continuidade de uma residência. É só ‘quintal’ mesmo, o nosso jardim da Alice. Até o ex-proprietário quis comprar aqui novamente. Claro que negamos”, diz Marcio Benevides.

Mas o terreno não é só jardim. Já construíram um ambiente aberto de pergolado que, em breve, se tornará também um espaço gourmet com um quarto acoplado para atender as noivas do salão. “Nossa intenção é colocar um deck bacana, luminárias, fazer um caminho calçado na entrada. Queremos até montar uma casa de bonecas e também uma piscina pequena à Helena, neta do Marcinho. Vai ficar muito lindo”, garantem.