Como lidar com os impactos psicológicos do ensino à distância durante a pandemia? - Caarapó Online

Caarapó - MS, domingo, 18 de abril de 2021


Como lidar com os impactos psicológicos do ensino à distância durante a pandemia?

Especialista aponta que o mudança de rotina e falta de contato com o ambiente escolar são as principais causas de sofrimento emocional

Publicado em: 13/03/2021 às 08h04

Correio Estado

Uma das medidas adotadas para conter o avanço da pandemia da Covid-19 foi a alteração da metodologia de ensino nas escolas, as aulas foram suspensas e os professores passaram a adotar o ensino remoto. Com isso, toda a comunidade escolar precisou se adaptar a uma nova rotina de estudos, com o uso de telas e os colegas distantes.

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) são exatos 1,38 bilhão de crianças e adolescentes no mundo. Uma parcela desse grupo passou a usar ferramentas de ensino à distância (EaD). De acordo com a psicóloga Marluce Bueno, o atual momento ainda requer grandes desafios, principalmente por fatores emocionais provocados pelo isolamento social.

“Ninguém esperava ficar em isolamento social, uma vez que somos seres sociais, isso consequentemente nos traz medo, principalmente em crianças e jovens, muitos deles não têm a compreensão do que realmente está acontecendo, tendo em vista o inusitado que é a reclusão total”, pontuou. Adaptar-se a uma nova rotina não é tão simples, a especialista explica que o isolamento pode desencadear problemas como ansiedade, sono desregulado e outros transtornos psicológicos.

“O isolamento social pode causar impactos relacionados à ansiedade, sono desregulado e outros transtornos. O contexto do ensino remoto provoca em alguns alunos uma sensação de estarem o tempo todo ligados ou simplesmente entendem que estão de férias e começam a procrastinar, e isso também traz prejuízos”, explicou a psicóloga.

Marluce destaca que a ausência dos colegas e a falta de interação com a comunidade escolar afeta diretamente a estabilidade emocional de crianças e adolescentes. Não confundir EaD com ensino remoto são processos distintos na aprendizagem. O primeiro o acesso é feito quando o estudante pode, o segundo exige um pouco mais do estudante, como por exemplo, particpar da maioreia das atividades de forma ON-LINE.

“O ensino remoto é modelo que estamos nos adaptando, saber que os colegas estão distantes, isso nos faz muita falta. O contato direto é muito importante para a socialização. Essas alterações podem causar mudanças emocionais, que podem principalmente ser provocadas pelo isolamento social, ocasionando danos no processo de aprendizagem”.

No início do semana, a Rede Municipal de Ensino (Reme) de Campo Grande (MS), anunciou que as aulas não voltarão a ser presenciais em Mato Grosso do Sul até que as equipes técnicas das áreas de saúde e ciência apontem que existe biossegurança em relação a Covid-19. A psicóloga orienta que é necessário adotar algumas medidas para que crianças e adolescentes passem por esse período de forma segura e sem sofrer com a ansiedade.

“Para lidar da melhor forma com o ensino remoto é necessário ter rotina, ver quais são as tarefas diárias a serem realizadas, e assim passar por momentos de estudos, convivência com a família e até mesmo momento de descanso são necessários, estabelecendo normas”, pontuou Bueno.

Uma das poucas maneiras de reduzir a ansiedade, de diminuir a falta de convívio social seria praticar a meditação, pois ela envolve que a pessoa pense e olhe mais para dentro de si.