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Caarapó - MS, domingo, 18 de abril de 2021


Startup brasiliense de uso sustentável em energia recebe investimento de R$ 500 mil

Negócio que surgiu como empresa júnior da Universidade de Brasília (UnB) recebeu investimento de R$ 500 mil para desenvolver sistema de monitoramento energético com medidores inteligentes e processamento em nuvem

Publicado em: 27/02/2021 às 07h09

Ana Clara Avendaño

Uma ideia inovadora rendeu aos estudantes da Universidade de Brasília (UnB) Luiz Felipe Guerra, Gabriel Duarte, João Pedro Braga e ao cientista da computação Thales Vinkler um investimento de meio milhão de reais e a possibilidade de trabalhar em solução sustentável que contribui para a proteção do planeta. Juntos, eles fundaram a Atmosphere, startup voltada para o uso consciente de energia elétrica. A Atmos surgiu como empresa júnior da instituição de ensino, em 2018. Contudo, a vontade de empreender no setor energético teve início anos antes, em Cruzeiro do Sul, no Acre.

“Eu morava no Norte do Brasil quando uma conta de luz da minha casa chegou a R$ 1 mil. Decidi analisá-la e, a partir disso, conseguimos adequar o funcionamento dos equipamentos elétricos de casa. Assim, alguns meses depois, já estávamos com a conta de luz pela metade. Geralmente, as pessoas não sabem quanto um chuveiro gasta de energia, por exemplo. É como se você fosse ao supermercado e não olhasse o preço dos produtos, é assim que a conta de energia é cobrada hoje”, diz um dos fundadores da startup, Luiz Felipe, 26 anos.

Em 2020, a Atmos foi selecionada para participar de um processo de aceleração entre março e junho. Ao fim do projeto, os jovens empreendedores montaram um pitch (apresentação com objetivo de despertar o interesse da outra parte pelo negócio) e apresentaram a investidores. “Orçamos quanto precisaríamos para fazer o projeto crescer com mais rapidez. Eu falei que precisávamos de R$ 500 mil para alcançar 100 casas até o fim de 2021. Ao longo do segundo semestre de 2020, negociamos com um grupo de investidores da capital que entende as dores do meu setor, a prática chamada de smart money, e eles acreditaram na nossa startup”, conta o empresário.

Sustentabilidade

A Atmosphere monitora o consumo de eletricidade por meio de um sistema com medidores inteligentes e processamento em nuvem, que fornece informações sobre o consumo de luz do local onde está instalado. De acordo com o Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel), é possível reduzir, em média, de 15% a 20% o valor da conta de energia ao supervisionar o gasto de cada aparelho eletrônico de uma residência ou empresa.

“Se a energia não é medida detalhadamente, ela não é gerenciada. Logo, é mais fácil o empregador demitir pessoas do que saber o que fazer para reduzir a conta de luz. Por isso, começamos a ver a possibilidade de transformar essa tecnologia em uma ferramenta importante para as pessoas usarem a energia de forma consciente, tanto em relação aos custos quanto à sustentabilidade”, afirma Luiz Felipe.

Inspirados na Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), plano de ação para as pessoas, o planeta e a prosperidade, que busca fortalecer a paz universal com base em 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e em 169 metas, os fundadores da Atmosphere acreditam que as empresas e as pessoas devem utilizar energia limpa e acessível, de forma consciente.

“Normalmente, a conta de luz é o segundo ou terceiro maior custo de uma empresa, só perde para pessoal e material. A partir do equipamento, conseguimos ver o horário que a pessoa o utilizou, a que horas desligou, notificar se houve alguma alteração no consumo ou furto de tensão. Todos os dados que estamos processando de energia ficam na nuvem e podem ser acessados por um aplicativo ou computador. O cliente acessa e sabe o quanto ele está consumindo e uma projeção de quanto ele vai consumir no fim do mês”, detalha o empresário.

Atualmente, a Atmos atua em prédios de órgãos públicos, hotéis, restaurantes e residências no Distrito Federal. Apesar do foco dos empreendedores de desenvolverem o projeto em Brasília e para os brasilienses, eles vislumbram alcançar clientes no resto do país. “Estamos contratando mais gente para fazer nossa tecnologia chegar a mais lugares no DF e fora também. No momento de pandemia, que precisamos nos organizar, conseguimos dinheiro para contratar gente e estamos gerando oportunidades de emprego. Temos vagas abertas para desenvolvedores de hardware e de software”, afirma.