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Caarapó - MS, quinta-feira, 4 de março de 2021


Brasil não trata doença mental como questão de saúde pública, diz estudo

Redes sociais e influenciadores digitais incentivam o debate em meio à pandemia e aumentam as buscas na internet por informações sobre doenças relacionadas à mente

Publicado em: 19/02/2021 às 07h36

Andreia Castro

Estudo mostra que saúde mental é uma das preocupações dos brasileiros durante a pandemia do novo coronavírus. Pesquisa realizada pela SA365 mostra grande aumento na busca pela internet sobre ansiedade e depressão. A Health+Life, porém, analisou que o suicídio é tratado no Brasil em casos um pouco mais "personalistas", mas não como pauta de saúde pública.

Entre as pesquisas feitas pelos internautas, sintomas e diagnósticos on-line lideram as buscas. A hashtag #saúdemental foi usada mais 4,4 milhões de vezes em redes sociais brasileiras e portuguesas, já #ansiedade e #depressao apareceram 2,66 milhões e 1,08 milhão de vezes em publicações, respectivamente.

A análise dos pesquisadores indica que a pandemia da covid-19 deixou as pessoas mais ansiosas. Dados divulgados durante webinar, na quinta-feira (18.02), mostraram um aumento de 246 mil pontos, em 2019, para 340 mil pontos, entre abril e julho de 2020, na escala Google, em pesquisas relacionadas à ansiedade.

Para entender o que estava passando, o internauta recorria à internet buscando identificar a doença e, também, métodos para "aliviar os sintomas" em meio à quarentena. Manifestações parecidas com os sintomas da covid-19, como falta de ar e até pressão alta, podem ter influenciado no resultado.

Outro dado relevante apontado no estudo mostra que, no período analisado, os termos relacionados à "depressão" tiveram uma queda na busca. Foram 280 mil pontos marcados em 2020, ante 370 mil em 2019. Para os pesquisadores, isso é um indicativo de que, por mais ansiosas que estivessem, as pessoas "deixaram de procurar ajuda médica da forma adequada por conta do foco de atenção na pandemia".

Dentro do esperado

Na avaliação do psiquiatra Alisson Marques, quadros de ansiedade pós-pandemia são comuns. “Historicamente, os aumentos nas taxas de doenças mentais graves geralmente ocorreram após as crises nacionais. Uma resposta natural de sentimentos de ansiedade episódica, medo e desânimo podem ser esperados de maneira situacional nesse contexto, sem que se configurem doenças. Entretanto, com o processo arrastado da pandemia, tem-se gerado impactos adoecedores”, explica o especialista.

A pesquisa foi realizada pela divisão Health+Life da agência SA365 e se baseou na metodologia netnográfica para chegar aos resultados. Esse modelo utiliza informações encontradas nas redes sociais e na internet, como Facebook, Twitter, Instagram e Google Trends, para entender a popularidade desses assuntos entre os internautas.

No Brasil, o levantamento indicou que as pesquisas realizadas na internet foram influenciadas por veículos de comunicação e, principalmente, influenciadores digitais. "Entendemos como relevante a atuação da indústria e de influenciadores para facilitar o diagnóstico e encaminhar as pessoas para o cuidado de um médico", diz Renata Assumpção, gerente da divisão Health+Life.