Bolsas de Valores bateram recordes em 2020 enquanto a economia mundial balançou - Caarapó Online

Caarapó - MS, segunda-feira, 18 de janeiro de 2021


Bolsas de Valores bateram recordes em 2020 enquanto a economia mundial balançou

Uma parcela da valorização é explicada pela forma como medimos a performance das Bolsas de Valores. Outra se deve talvez a um entusiasmo exagerado, afirmam investidores devido aos juros baixos

Publicado em: 10/01/2021 às 06h14

Correio Braziliense

Em todo o mundo, milhões de pessoas perderam seus empregos ao longo de 2020 ou receberam auxílio emergencial dos governos para poderem ficar em casa. Ainda assim, as Bolsas de Valores recuperaram perdas, após as fortes quedas registradas em março do ano passado.

Os maiores ganhos foram registrados nos Estados Unidos, com a Bolsa de tecnologia Nasdaq em uma impressionante alta de 42%, e o índice S&P 500, que reúne as 500 maiores empresas de capital aberto negociadas no mercado americano, com valorização de 15% no ano. No Reino Unido, o índice FTSE 100, com suas petroleiras, bancos e companhias aéreas em dificuldades, todas bastante afetadas pela pandemia, as coisas não foram tão fáceis.

O índice fechou 2020 ainda 14% abaixo do início do ano, mas registrou alta constante nos últimos meses e recebeu um impulso extra no fim de ano, após o Reino Unido chegar a um acordo comercial com a União Europeia para o Brexit e com a aprovação de uma segunda vacina pela autoridade sanitária britânica.

No Japão, as ações se recuperaram após a aprovação das vacinas, com papéis de empresas farmacêuticas e de games liderando a valorização. No Brasil, o Ibovespa se aproximou dos 60 mil pontos em março, uma queda de quase 50% em relação às máximas históricas registradas em janeiro.

Nos meses seguintes, no entanto, o principal índice da Bolsa brasileira se recuperou, principalmente devido à entrada de pessoas física em busca de retornos em meio aos juros mais baixos da história. Com isso, o Ibovespa fechou o ano da pandemia em alta de 3%.

O que explica a alta das Bolsas

Uma parcela da valorização registrada em 2020 é explicada pela forma como medimos a performance das Bolsas de Valores. Outra parcela se deve talvez a um entusiasmo exagerado, afirmam investidores.

Outro fator importante é a quantidade de dinheiro que está sendo injetada na economia global pelos bancos centrais de todo o mundo, dizem os especialistas. Mas, por fim, há de fato algumas pequenas razões para otimismo.

Um fator importante a se considerar é que o valor das ações negociadas em Bolsa não diz respeito apenas ao momento presente, diz Sue Noffke, diretora de ações para o Reino Unido da gestora de recursos Schroders.

Dinheiro barato

Eles também estão levando em conta a possiblidade de tomar empréstimos a baixo custo, o que é um fator de estímulo para as empresas. Há também toda a liquidez que está sendo injetada pelos bancos centrais e os efeitos que isso tem sobre a economia mundial.

Somente o Banco da Inglaterra planeja comprar 895 bilhões de libras (R$ 6,5 trilhões) em títulos públicos e corporativos com dinheiro novo, através da política de estímulo monetário chamada em inglês de "quantitative easing" ("expansão quantitativa", em tradução livre). Desde março de 2020, o FED (banco central americano) já comprou mais de US$ 3 trilhões (R$ 16 trilhões) em ativos.