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Caarapó - MS, segunda-feira, 18 de janeiro de 2021


Ao longo de anos, temperaturas podem subir 5°C em MS e mais ainda no Pantanal

Projeções indicam elevação entre 5°C e 6°C dentro de 80 anos, causando impacto direto na fauna, na flora e nos habitantes

Publicado em: 06/01/2021 às 07h11

Lúcia Morel

Mato Grosso do Sul e o Pantanal devem sofrer com aumento gradual da temperatura média dentro de 80 anos, o que vai, principalmente no bioma, descaracterizá-lo. Projeções indicam elevação entre 5°C e 7°C até 2100, causando impacto direto na fauna, na flora e nos habitantes.

Dados de estudos da revista científica Nature Climate Change e do artigo “Climate Change Scenarios in the Pantanal” mostram que a realidade poderá ser transformada diante das mudanças climáticas e das emissões de gases-estufa.

Na atual maior planície alagada do mundo, o regime de águas que a caracteriza pode simplesmente deixar de existir, com redução das chuvas e impactos mais significativos no inverno. Pela projeção, lá, o aumento na temperatura média anual até o final deste século deverá ser de 6°C.

Um dos responsáveis pelo artigo relacionado ao bioma, o hidrologista e meteorologista José Antônio Marengo Orsini, do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), afirma que isso significa temperaturas acima dos 50ºC nos dias mais quentes.

“Se atualmente, nos dias mais quentes do verão, a temperatura no Pantanal passa fácil dos 40°C, estamos falando em temperaturas máximas em torno ou superiores aos 50°C. É temperatura de deserto. A maioria das plantas suporta pontualmente um calorão desses. Pontualmente”, analisa.''

Conforme as projeções, até 2040, as temperaturas médias devem subir de 2°C a 3°C. Em 2070, o aumento poderá entre 4°C e 5°C, atingindo em 2100 uma temperatura média 6 °C mais elevada do que a atual.

Embora haja muita incerteza com relação às projeções pluviométricas, os modelos sugerem que, durante o inverno no hemisfério Sul, o Pantanal poderá experimentar uma redução na quantidade de chuva de 30% a 40%. “Um aumento da temperatura média de 5°C a 6°C implicaria em deficiência hídrica, o que afetaria a biodiversidade e a população”, observa Marengo.

A união de altas temperaturas e poucas chuvas vão desfazer o regime atual de águas do bioma, que entre novembro e março de cada ano – período de chuvas – inundam até 70% da planície. É justamente nesse tempo que se formam os banhados, os lagos rasos e quando os pântanos incham. Tudo isso faz com que, nas áreas mais elevadas, surjam ilhas de vegetação, um refúgio para os animais.

Assim, grandes áreas permanecem inundadas de quatro a oito meses no ano, com uma cobertura de água que varia de uns poucos centímetros até 2 metros. Isso já foi diferente em 2019 e em 2020, quando com mais espaços secos e sem água, vegetação foi combustível para queimadas históricas na região.

Em média, por ano, caem de 1.000 a 1.250 milímetros de chuva no bioma e a temperatura média anual é 24°C, com máximas que atingem até 41°C, em alguns momentos do ano.