Ibovespa sobe 0,8% e fecha em maior alta desde fevereiro e o dólar cai a R$ 5,33 - Caarapó Online

Caarapó - MS, sexta-feira, 27 de novembro de 2020


Ibovespa sobe 0,8% e fecha em maior alta desde fevereiro e o dólar cai a R$ 5,33

Mercado ensaia uma volta aos patamares pré-Covid com o aumento do fluxo estrangeiro em commodities

Publicado em: 18/11/2020 às 06h05

Ricardo Bomfim

O Ibovespa fechou em alta pela terceira vez seguida nesta terça-feira (17.11) puxado pelas ações da Petrobras (PETR3; PETR4) – que subiram mais de 1% apesar do petróleo ter ficado praticamente estável no mercado internacional – e da Vale (VALE3), que se valorizou em 3,2%. Para ler mais destaques de ações, clique aqui.

Analistas destacaram que o refluxo de estrangeiros para a Bolsa desde a semana passada, entrando nos ativos do País principalmente via papéis ligados a commodities, acabou aumentando a força compradora. Na última semana, o ingresso de capital estrangeiro somou R$ 14,5 bilhões e o saldo em novembro é positivo em R$ 17,8 bilhões.

Com a alta de hoje, o principal benchmark de ações do Brasil se descolou do exterior, que enfrentou um dia de correção após os índices Dow Jones e S&P 500 baterem máximas no pregão anterior. Nesta terça, o Dow caiu 0,56%, o S&P 500 teve queda de 0,48% e o Nasdaq recuou 0,21%. Os investidores brasileiros continuaram animados pelo anúncio da farmacêutica Moderna de que sua vacina tem 94% de eficácia.

Por outro lado, o avanço da segunda onda do coronavírus preocupa, principalmente com a retomada de medidas de isolamento social em diversos lugares do mundo. Alguns estados americanos voltaram a fazer quarentenas e a Rússia atingiu recorde diário de novas infecções, com 22.778 casos registrados.

No Brasil, o governo do estado de São Paulo adiou para o dia 30 de novembro a reclassificação das áreas de acordo com o grau de novas contaminações por Covid. Segundo o governo paulista, os hospitais têm registrado mais internações.

Diante de tudo isso, o Ibovespa subiu 0,77%, aos 107.248 pontos com volume financeiro negociado de R$ 33,52 bilhões. Foi o maior patamar de fechamento do índice desde o dia 21 de fevereiro, quando o benchmark encerrou o pregão cotado em 113.681 pontos.

Enquanto isso, o dólar comercial teve queda de 1,97% a R$ 5,329 na compra e a R$ 5,33 na venda. O real foi impulsionado pela sinalização do Banco Central de que pode aumentar a quantidade de swaps cambiais oferecidos para atender à alta demanda por dólares nas próximas semanas.

O BC informou em comunicado que iniciará leilões diários para rolar US$ 11,8 bilhões de dólares por meio de contratos de swaps cambiais que vencem em 4 de janeiro. Com isso, a moeda brasileira teve o melhor desempenho em uma cesta de 24 divisas emergentes. O dólar futuro com vencimento em dezembro registrava baixa de 1,61%, a R$ 5,333 no after-market.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 caiu quatro pontos-base a 3,25%, o DI para janeiro de 2023 teve queda de quatro pontos-base a 4,86%, o DI para janeiro de 2025 recuou seis pontos-base a 6,65% e o DI para janeiro de 2027 registrou variação negativa de seis pontos-base a 7,43%.

Além disso, o noticiário focou na perspectiva econômica da União Europeia. Na terça, Hungria e Polônia vetaram a aprovação pelos governos do bloco da legislação que reúne tanto o orçamento para o período de 2021 e 2027 quanto a verba do fundo de recuperação da União Europeia.

Para que o pacote seja aprovado, é necessário apoio unânime, e veto dos governos de Polônia e Hungria deve atrasar a liberação de recursos no valor de 1,8 trilhão de euros. Países europeus importantes vêm registrado aceleração da contaminação, com França, Alemanha e Reino Unidos implementando novos lockdowns, com diferentes níveis de abrangência.

Retomada da agenda de reformas

Após a eleição municipal, Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo na Câmara, disse esperar votar na quarta-feira o projeto de incentivo à navegação; a oposição promete obstruir votações. Barros diz ser possível destrancar a pauta de votações e avançar na análise de temas considerados prioritários.

A expectativa é aprovar o PL do Mar, que está trancando a pauta há bastante tempo, e avançar na discussão de demais matérias, como o BC independente, os projetos que tratam dos fundos públicos e da negociação com os estados e avançarmos também em pautas importantes para a questão econômica do Brasil, disse Barros.

Em palestra na Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara dos Deputados, considerou “muito difícil” que os liberais mantenham apoio ao governo caso ele adote medidas reprováveis do ponto de vista fiscal.

“Eu acho que isso (a pauta emergencial) vai ter sim um pacto na eleição de 2022, porque nós vamos compreender como é que vai ficar a aliança que o ministro (da Economia) chama muito bem de conservadora-liberal. Vai chegar um momento, nas próximas semanas, que nós vamos saber se essa conciliação entre conservadores, que o presidente representa, e os liberais, que o Paulo Guedes diz que representa, como é que vai ficar essa aliança nos próximos meses.”