Paulo Guedes: se houver 2ª onda de covid-19, o governo recriará o auxílio emergencial - Caarapó Online

Caarapó - MS, quarta-feira, 25 de novembro de 2020


Paulo Guedes: se houver 2ª onda de covid-19, o governo recriará o auxílio emergencial

"Não é possibilidade, é certeza", garantiu o ministro, em evento dos supermercadistas. Porém, valor a ser pago pode ser menor, para que seja repassado ao beneficiário por mais tempo

Publicado em: 13/11/2020 às 07h25

Rosana Hessel

O ministro da Economia, Paulo Guedes, admitiu novamente que poderá prorrogar o auxílio emergencial caso haja uma segunda onda da pandemia do coronavírus no Brasil. Mas, se isso não ocorrer, espera que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça até 4% no ano que vem.

“Se houver segunda onda, não é possibilidade, é certeza (recriar o auxílio emergencial). Acredito que, se houver segunda onda da pandemia, o Brasil reagirá como da primeira vez. Vamos decretar estado de calamidade pública e vamos recriar (o auxílio emergencial)”, garantiu Guedes, nesta quinta-feira (12.11), em teleconferência da Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Na terça-feira, em evento realizado pela empresa americana de comunicação Bloomberg, o ministro considerou essa possibilidade, mas em valores menores do que os pagos atualmente pelo benefício (R$ 300) para que isso ocorra por um período mais longo.

Durante a palestra para empresários do setor supermercadista e de parceiros, o ministro afirmou que ainda não trabalha com a possibilidade de uma eventual segunda onda, porque, na avaliação dele, “a probabilidade é baixa”. Contudo, não descarta como um plano de emergência, pois, no pacto federativo, existe uma “cláusula de calamidade pública”.

“A nossa realidade, o nosso plano A para o auxílio emergencial, é acabar em 31 de dezembro e voltar para o Bolsa Família ou para o Renda Brasil. Com a pandemia descendo, o auxílio emergencial vai descendo junto. A renovação de auxílio não é nossa hipótese de trabalho, é contingência. Com uma segunda onda, de novo nós vamos reagir da mesma forma como reagimos”, afirmou.


Período longo de auxílio


Paulo Guedes lembrou que o valor do auxílio emergencial inicialmente proposto pela equipe econômica, de R$ 200, poderia ser concedido por um período mais longo, “de um ano até um ano e meio”. Mas a decisão de aumentar o auxílio para R$ 500, pelo Congresso, e, posteriormente para R$ 600, pelo presidente Jair Bolsonaro, “foi política”.

“A pandemia estava no auge, não sabíamos o efeito. No fundo, o número saiu acima do que esperávamos, de R$ 400, que já era o dobro. Mas a decisão política foi para cima. Não me arrependo. A reação foi tão boa do ponto de vista de preservação de emprego e de funcionamento da cadeia integrada, que não podemos nos arrepender dessa decisão. Foi muito boa e foi o resultado de uma democracia funcionando” afirmou o ministro.

Ele voltou a afirmar que o Brasil vai surpreender o mundo e comparou o sucesso da distribuição digital do benefício a mais de 65 milhões de brasileiros com os Estados Unidos, que enviou o cheque por correio. “Fizemos o dinheiro chegar digitalmente”, lembrou.


Surpresa boa para o país


Na avaliação de Guedes, o Brasil reagiu muito bem à crise e está surpreendendo as projeções dos mais céticos. Por conta disso, não descarta o auxílio no caso de uma segunda de covid-19. “Vamos decretar estado de calamidade e, com a nossa experiência, vamos calibrando os instrumentos”, salientou.

Durante o evento, o ministro elogiou a atuação dos supermercados durante a pandemia porque evitaram a ameaça de caos social. Afinal, não houve desabastecimento de produtos nas prateleiras dos supermercados, que “mantiveram a economia em funcionamento”. Guedes ainda minimizou a recente alta nos preços dos alimentos: para ele, a inflação é “temporária e transitória”.