Alta do dólar anima produtores de soja e aumenta o faturamento rural - Caarapó Online

Caarapó - MS, terça-feira, 24 de novembro de 2020


Alta do dólar anima produtores de soja e aumenta o faturamento rural

Mais de 78 mil hectares devem ser destinados à cultura, cujos sacos chegam a ser vendidos por R$ 130, graças à valorização da moeda americana. Em maio, o preço era de R$ 83,50

Publicado em: 09/11/2020 às 06h28

Correio Braziliense

O Centro-Oeste é a principal região produtora de soja do país, e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) prevê um incremento de 4,5% da área de cultivo, em relação ao ano passado, o que deve ultrapassar os 17,3 milhões de hectares. No DF, a cultura ocupou, na safra anterior, uma área de 74,5 mil hectares (ha) e deve chegar aos 78,3 mil ha neste ano. Na colheita de 2019, o saldo foi de 290,6 mil toneladas, o que deve se manter para a safra 2020/2021. Um estímulo é o aumento do valor do dólar, que interfere no preço final do produto.

O engenheiro agrônomo e responsável técnico da Cooperativa Agropecuária do Distrito Federal (Coopa DF), Cláudio Malinsk, explica que, atualmente, o agricultor consegue vender o saco de soja (60kg) por até R$ 130, graças à alta da moeda americana. “Em maio, o contrato era fechado a R$ 83,50 (por saco), mas, hoje, já subiu. Isso porque o dólar está em patamares de até R$ 5,60.”

De acordo com ele, ao contrário do que aconteceu nos demais setores da economia, a pandemia provocada pelo novo coronavírus não impactou na agricultura, e a soja desponta como carro-chefe no DF. “No agronegócio, é, hoje, a cultura mais importante, 100% mecanizável, e que não necessita de adubo nitrogenado. Caiu no gosto pela facilidade do cultivo, e por ser um mercado que sempre tem compradores.”

Secretário-executivo da Secretaria de Agricultura do (Seagri), Luciano Mendes frisa que, pela proporção da messe por área cultivada de soja, o DF é recordista nacional de produção. “Na nossa última safra, tivemos 3,7 mil kg por hectare (62 sc/hc). Isso acontece porque a gente percebe muita tecnologia envolvida no processo, além de cooperativas e órgãos dispostos a prestar assessoria de qualidade”, afirma.

Dono de uma propriedade no PAD-DF, José Guilherme Brenner, presidente da Coopa-DF, colheu 70 sacos de soja/ha em 2019 e espera repetir a produção. Cerca de 40% da cultura dele é destinada a empresas sementeiras. “Existe essa indústria no DF que é vendida para o Brasil inteiro. Nossas características de altitude e clima favorecem a produção. Não é todo lugar que dá para fazer”, afirma. “Neste ano, a chuva chegou com tudo, e isso é um aspecto positivo para um clima muito bom.”