Agricultores familiares cultivam a soja convencional (BRS 511) em MS - Caarapó Online

Caarapó - MS, terça-feira, 24 de novembro de 2020


Agricultores familiares cultivam a soja convencional (BRS 511) em MS

Agricultores familiares cultivam soja convencional (BRS 511) em Mato Grosso do Sul

Publicado em: 30/10/2020 às 08h12

Christiane Congro Comas - Embrapa

A Embrapa Agropecuária Oeste foi convidada pela Cooperativa dos Agricultores Familiares do Assentamento Itamarati (Cooperafi) para participar do lançamento do primeiro plantio de soja convencional orgânica (BRS 511) em dois assentamentos rurais de Mato Grosso do Sul. Nessa safra, dezesseis agricultores assentados de Sidrolândia estão trabalhando em parceria e juntos vão plantar 109 hectares de soja orgânica.

Já em Ponta Porã (MS), no Assentamento Itamarati, com apoio da Cooperafi serão cultivadas 13 ha. Nesse outra lavoura, o cultivo será feito pelo produtor Jones Marcos Ambruste, que está em processo de transição para o sistema orgânico. Segundo Ambruste, “existem boas perspectivas de ampliação da área no próximo ano, a partir do envolvimento de outros agricultores familiares daquela região”.

Solenidade - A atividade foi realizada no Assentamento Eldorado, em Sidrolândia, na quarta, 21 de outubro e contou com a presença do Chefe Geral da Embrapa Agropecuária Oeste, Harley Nonato de Oliveira, do Chefe Geral de Pesquisa e Desenvolvimento da Unidade, Walder Antonio Gomes de Albuquerque Nunes e dos pesquisadores: Rodrigo Arroyo Garcia e Milton Padovan.

Tanto em Sidrolândia (MS) quanto em Ponta Porã, está previsto o plantio de milho, tipo pipoca, após a colheita da soja. Também há possibilidades de plantio de milho comum para compor rações destinadas à alimentação de galinhas poedeiras.

BRS 511 - Nas duas lavouras serão cultivadas a BRS 511, cultivar de soja convencional que alia alta produtividade, com inovação, desenvolvida pela Embrapa, e parceria com a Fundação Meridional. “Essa cultivar de soja convencional foi lançada há apenas dois anos. Ela possui resistência genética à ferrugem-asiática da soja, sendo mais uma ferramenta para o manejo adequado dessa importante doença”, explica o pesquisador da Unidade, Rodrigo Arroyo Garcia. Saiba mais sobre a BRS 511, clique https://www.facebook.com/embrapa/posts/771939346334786/.

Para o Chefe Geral da Embrapa Agropecuária Oeste, Harley Nonato de Oliveira, a inserção de uma cultivar desenvolvida pela Embrapa nesse plantio reforça a importância do material e suas amplas possibilidades de uso. Ele acrescentou ainda que “além de termos o material disponível, por meio da Jotabasso, também podemos ver a BRS 511 ser inserida em sistemas de produção com diferentes objetivos, dada as qualidades que essa cultivar possui”.

Certificação - O processo de certificação orgânica dessas áreas destinadas à produção de grãos nos assentamentos de Mato Grosso do Sul, conta com apoio da Cooperafi e esta sendo realizado pelo Sistema Participativo de Garantia (SPG), que é conhecido como certificação participativa.

Comercialização - Toda a produção de soja orgânica e em transição desses agricultores familiares será adquirida pela empresa Argomil, sediada em Avaré (SP). Responsável pelo apoio técnico para essas iniciativas, Alison Napolitano, que também é representante da Argomil, participou do evento e informou que a empresa comprará a soja e o milho orgânicos e que esses insumos serão utilizados na preparação de rações para galinhas de postura de ovos, criadas por meio de manejo orgânico.

Segundo Napolitano, a empresa possui demanda imediata suficiente para plantio em 2.500 ha em Mato Grosso do Sul. “O Estado tem uma grande vantagem competitiva em relação a São Paulo, pois oferece áreas maiores para esse tipo de cultivo o que facilita a logística”. Segundo ele, a empresa está financiando até 70% dos custos de produção das lavouras orgânicas de agricultores familiares que estejam utilizando manejo orgânico e em transição.

Napolitano destacou ainda que além dos pequenos produtores da agricultura familiar, existe demanda de médios e grandes agricultores para que produzam grãos orgânicos, representando uma importante alternativa para esse nicho de mercado, que é comercializado tanto no Brasil, quanto para exportação.

O termo de parceria entre a Cooperafi e a Argomil prevê que os produtos com certificação orgânica serão adquiridos com um bônus de 20 a 30% sobre o produto convencional, enquanto a produção oriunda de áreas em transição contará com um bônus de 10%.

Cooperafi – Atualmente, a Cooperativa conta com 66 filiados e atende mais de 1000 famílias indiretamente, por meio da compra de leite, soja, milho, feijão e venda de produtos produzidos na cooperativa, como milho em saca, ração, mineralização, entre outros. A Cooperafi tem abrangência estadual o que possibilita o atendimento em outras regiões fora do município.

De acordo com lideranças da Cooperafi, há mais de 15 anos, a instituição conta com o apoio de iniciativas bem consolidadas de produção de arroz orgânico por associações de assentamentos do Rio Grande do Sul e, mais recentemente, no Maranhão. O presidente da Cooperafi, Altair Schlickmann, informou ainda que atualmente há iniciativas de produção de soja orgânica por associações de assentados do Paraná (Jardim Alegre) e milho orgânico em São Paulo (Itapeva e Apiaí).