Dia do Professor: o desafio de ensinar com qualidade os conteúdos, na pandemia - Caarapó Online

Caarapó - MS, quarta-feira, 21 de outubro de 2020


Dia do Professor: o desafio de ensinar com qualidade os conteúdos, na pandemia

Histórias de 9 mestres que superaram os obstáculos impostos pela necessidade do isolamento social e se reinventaram

Publicado em: 15/10/2020 às 06h49

Correio Braziliense

O estabelecimento do Dia do Professor no Brasil remete aos tempos do Império, quando o imperador D. Pedro I instituiu decreto que criou o ensino elementar. Em 1963, a data veio a ser oficializada por decreto federal. Antes disso, contudo, em 1947, um evento dedicado à confraternização entre professores e alunos ajudou a marcar 15 de outubro como um dia especial para os docentes.

Na comemoração, um dos realizadores, o professor Salomão Becker, proferiu a seguinte frase: “Professor é profissão. Educador é missão". A citação do mestre, mesmo tendo sido dita há mais de 70 anos continua soando jovem em 2020. Este ano, em especial, foi desafiador para a profissão, pois, desde março, professores de todo o Brasil tiveram que se reinventar para atingir os alunos, cada um de sua casa. Mesmo que muitos não tinham nenhuma experiência com aulas a distância, os docentes toparam o desafio de se reinventar e mostraram que têm como verdadeira missão de vida educar, independentemente das condições.


Educar é uma tarefa especial


A pandemia não poupou nenhum segmento da educação, todos tiveram que lidar com o fechamento repentino das escolas. Contudo, vale lembrar que a educação especial não foi poupada. Professores dessa modalidade, que já se desafiavam diariamente para ensinar, tiveram que se reinventar. Nesse grupo está Maria Cristina da Silva de Jesus, 43 anos, que leciona para alunos com transtornos do espectro autista no Centro de Ensino Fundamental 101 do Recanto das Emas, em Brasília.

No decorrer dos 22 anos de profissão, ela se apaixonou e se especializou pela área educação especial. Desde 2012, atua continuamente na mesma turma para alunos com Transtornos Globais do Desenvolvimento no CEF 101. A pandemia, porém, chacoalhou a rotina da professora e a forçou a reformular o método desenvolvido nesses oito anos. “Quando veio a pandemia ficamos naquela insegurança por trabalharmos com alunos especiais que têm pouca fala ou que não usam a verbalização”, lembra Maria Cristina.

“Eu tive, primeiramente, que conquistar a família, falar que era possível e que faríamos de tudo para que eles não desistissem. Primeiro, eu expliquei como acessar a plataforma, depois, todos os dias eu perguntava: ‘mãezinha, paizinho, ele conseguiu?”, recorda. Apesar do esforço em reter a atenção dos alunos, logo nos primeiros dias, a professora notou que não teve sucesso.

Porém, ela não receou em reformular seus métodos: começou a produzir vídeos curtos, de, no máximo, três minutos e meio, e que tivessem músicas. “Comecei a postar vídeos criativos, até aqueles que davam errado e as mães falavam que as crianças começaram a rir e que estavam conseguindo acompanhar”, lembra com entusiasmo. Maria também separou horários para atender cada aluno separadamente por videochamada. Ela viu sucesso no método desenvolvido com o apoio da gestão da escola.


Alfabetização a distância


Embora a Escola Classe Núcleo Rural Córrego do Atoleiro, em Planaltina (DF), seja classificada pela Secretaria de Educação como urbana, a professora Caroline dos Anjos, 34, destaca que parte dos alunos lida com questões de área rural. A falta de acesso à internet, equipamentos ou mesmo atenção por parte dos pais é a realidade de muitos alunos da escola. “Cada um tem uma peculiaridade diferente, são várias dificuldades que a gente passa, seja financeira, seja de materiais, em muitos quesitos”, destaca a professora.

Aficionada por ensinar desde os 14 anos, quando dava aulas na igreja, Caroline desenvolveu gosto pela alfabetização de crianças. Atualmente, a professora leciona para o segundo ano do ensino fundamental. “Eu amo o que faço, gosto de estar em sala de aula com os meninos”, lembra a professora. No entanto, ela tem se desdobrado para alfabetizar os alunos a distância e encontrou uma solução criativa no uso de leituras diversificadas.

ogo na semana de ambientação, entre 22 de junho e 10 de julho, Caroline percebeu baixo engajamento dos estudantes, pois poucos retornavam as atividades. No entanto, foi no incentivo à leitura que a professora enxergou a saída para resgatar cada criança e evitar que perdessem o vínculo com a escola. “Mesmo que passem de ano com algumas dificuldades, tendo uma leitura fluente, eles conseguirão mais facilmente alcançar os objetivos”, ressalta.