Novo programa habitacional atenderá 1,6 milhão de famílias de baixa renda - Caarapó Online

Caarapó - MS, segunda-feira, 8 de março de 2021


Novo programa habitacional atenderá 1,6 milhão de famílias de baixa renda

Com o lançamento do Casa Verde e Amarela, governo começa a moldar face social em cima de planos que já existem e que vêm de gestões anteriores. Resultado disso deve ser a ampliação da base eleitoral, com vistas a pavimentar a caminhada rumo à reeleição

Publicado em: 26/08/2020 às 06h35

Ingrid Soares

O presidente Jair Bolsonaro assinou, na terça-feira (25.08), a medida provisória que cria o Casa Verde e Amarela, novo programa de habitação do governo federal, que substituirá o Minha Casa Minha Vida, dos governos Lula e Dilma. A ideia do novo projeto é atender 1,6 milhão de famílias de baixa renda, regularizar 2 milhões de moradias, renegociar dívidas de beneficiários do MCMV e reformar residências.

A essência dos programas é a mesma, embora o ministro Rogério Marinho, do Desenvolvimento Regional, tenha salientado que “faremos também uma autorização extremamente importante que o programa anterior não admitia: permitir a renegociação de dívidas dos mutuários de faixa 1 no Brasil. Estamos falando de uma inadimplência beirando 40%. Os mais pobres, que ganham até R$ 1,8 mil. A lei não permite essa renegociação. Determina que nós tomemos de volta quase 500 mil residências. Isso acaba hoje”, afirmou.

O aperfeiçoamento do MCMV não é o único programa já existente que está vestindo nova roupagem, para ter a cara do atual governo. O Palácio do Planalto pretende apresentar, também, o Renda Brasil, que repagina o Bolsa Família, mas os valores ainda não estão fechados. Já o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) passará a se chamar Pró-Brasil. Tais iniciativas se somam ao auxílio emergencial, atualmente em R$ 600, mas que chegará até o final do estado de calamidade –– que termina em 31 de dezembro –– num valor menor –– Jair Bolsonaro quer R$ 300, mas o ministro da Economia, Paulo Guedes, vê espaço no orçamento para apenas R$ 270, a não ser que haja compensações como o fim de programas como o Farmácia Popular ou o fim das deduções no Imposto de Renda de Pessoa Física.

Em rápido discurso, o presidente ressaltou que a responsabilidade de aprovação da proposta é do parlamento. “A bola agora está com o Parlamento, Ricardo Barros e Eduardo Gomes” –– respectivamente, líder do governo na Câmara e no Senado Federal.

“Gostaria de cumprimentar os ministros que trabalham incansavelmente nessa questão, bem como nosso parlamento, que agora recebe essa MP e a aprovará, com toda certeza. E, se for o caso, fará aperfeiçoamentos. Assim é que se fazem as leis, assim é que nós nos apresentamos para atender a nossa sociedade”, destacou.


Mudança de base

Para o cientista político Cristiano Noronha, da Arko Advice, caso o governo seja bem-sucedido nas agendas que propõe, Jair Bolsonaro estará no caminho da reeleição: “Acho que se o governo, como um todo, for bem sucedido na área social, tanto no Renda Brasil como no Casa Verde e Amarela, o presidente dá um passo nesse caminho. O governo está se movimentando para criar sua própria marca social. E o efeito desse movimento pode ser a invasão de território antes dominado pelo PT”, afirma.

O analista político Creomar de Souza lembra que o presidente Bolsonaro foi eleito pelo discurso da segurança pública, mas sem uma agenda social. “Em termos dessa agenda, o discurso (contra os programas sociais) era até hostil. O que muda? O governo de campanha não existe mais e precisa de uma assinatura. E tem dado sinais, nas ironias do mundo político, que vai ser uma assinatura social. Mas se usar os nomes anteriores, perde o impacto eleitoral. Ninguém agradece ao Jair Bolsonaro por pagar o Bolsa Família em dia, mas agradece o auxílio emergencial”, exemplificou.

Ele lembra que isso não é novidade, pois o próprio PT criou o Bolsa Família a partir de programas do governo de Fernando Henrique Cardoso. “A questão fundamental é o fato de que esse governo acaba sendo atraído para a necessidades de fazer esses programas para mudar o eleitor-base. O governo que apresenta projetos para políticas distributivas se beneficia disso. Por um tempo, o governo atual acreditou ser possível não pensar nessas questões”, assinalou.