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Caarapó - MS, segunda-feira, 28 de setembro de 2020


Hormônio liberado durante atividade física pode ser terapêutico para a Covid-19

Irisina é liberado pelos músculos e teria efeito modulador em genes associados à replicação do vírus

Publicado em: 15/08/2020 às 07h41

Dayane Albuquerque

Um estudo feito pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) indica que o hormônio irisina, que é liberado pelos músculos durante a atividade física, pode ter “efeito terapêutico” para casos da Covid-19. Isso porque a substância liberada na pele teria efeito modulador em genes associados à maior replicação do novo coronavírus.

De acordo com a universidade, a pesquisa usou um conjunto de moléculas de RNA (transcriptoma) de células adiposas não infectadas pela Covid-19, esse material recebeu doses do hormônio e segundo uma dos pesquisadores da universidade, Miriane de Oliveira, o resultado foi positivo.

“Confrontamos as informações sobre os genes importantes na Covid-19 com nossos dados do transcriptoma para fazer correlações. O resultado representa uma sinalização positiva para a busca por novos tratamentos nesse momento de emergência com a pandemia. É preciso ressaltar que trata-se de dados preliminares, uma sugestão do potencial terapêutico da irisina para casos de COVID-19. Estamos indicando um caminho de pesquisa para comprovar ou não o efeito benéfico do hormônio em pacientes infectados”, afirmou a representante da Faculdade de Medicina da Unesp, em Botucatu (SP).

O estudo foi publicado na revista Molecular and Cellular Endocrinology e analisou a ação da irisina e de hormônios tireoidianos em adipócitos. Os pesquisadores identificaram 14.857 genes em uma linhagem de células de gordura debaixo da pele. Segundo a pesquisa, quando essas células foram tratadas com o hormônio, identificou-se que vários foram genes alterados.

E devido à pandemia do novo coronavírus, investigaram-se os efeitos da irisina em genes relacionados à replicação da doença. O que foi identificado foi que o tratamento em células adiposas diminuiu a expressão de reguladores do gene ACE2, que é fundamental para a replicação do vírus em células humanas, ele codifica a proteína a que o vírus precisa para invadir as células humanas.

A irisina também triplicou os níveis do gene TRIB3, que em indivíduos idosos é comum ocorrer a diminuição dele, o que pode estar relacionado à maior replicação da Covid-19 e ao risco aumentado dessa população.

“Um terceiro aspecto importante está no achado de outros grupos de pesquisa sobre o tecido adiposo aparentemente servir como repositório do vírus. Isso ajuda a entender por que indivíduos obesos têm maior risco de desenvolver a forma grave do vírus nCoV-19. Fora isso, indivíduos obesos tendem a ter níveis menores de irisina, assim como maiores quantidades da molécula receptora do vírus [ACE2], quando comparados a indivíduos não obesos”, afirma a pesquisadora.

A irisina é produzida durante o exercício físico contínuo e conhecida pela função de modificação metabólica do tecido adiposo – que armazena triglicerídeos, lipídios, acumula gordura e pode vir a ser inflamado. O que favorece o gasto energético e torna a irisina um agente terapêutico para doenças metabólicas, como a obesidade.