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Caarapó - MS, quinta-feira, 13 de agosto de 2020


Campo Grande e outras capitais estão longe da estabilização por mortes de Covid-19

Curitiba e outras sete capitais estão longe do pico de mortalidade por Covid-19, aponta pesquisa feita por Universidades

Publicado em: 28/07/2020 às 08h24

UFPR

Curitiba, Porto Alegre e Florianópolis estão entre as capitais brasileiras que mostram, nesta segunda metade de julho, distância em relação ao pico da mortalidade por Covid-19, o que indica retração do combate à pandemia. A análise é baseada no ModInterv, sistema para projeções criado por pesquisadores de áreas de Exatas das universidades federais do Paraná (UFPR), Pernambuco (UFPE) e Sergipe (UFS). Segundo o sistema, a situação ocorre também com outras cinco capitais: Goiânia, Belo Horizonte, Campo Grande (MS), João Pessoa e Brasília. A avaliação foi registrada em artigo no banco de pré-prints da Scielo e considera a situação das 27 capitais no dia 19 de julho (que vem se mantendo desde então).


Segundo os cientistas, as oito capitais mencionadas estão com a curva acumulada de mortalidade em ascensão, seja ela mais ou menos acentuada. Considerando que todos os estados brasileiros tinham mortes confirmadas por Covid-19 já na primeira quinzena de abril, o cenário sugere que as cidades estão falhando nas medidas de combate, o que faz com que a curva permaneça ascendente desde o início, ou houve retrocessos no combate ao vírus por causa do afrouxamento de medidas de prevenção.Nesse último caso, é possível notar uma mudança de rumo na curva dos gráficos de mortalidade que os autores do trabalho chamaram de “relargada”.


“Em Curitiba foi o que aconteceu, certamente, porque a curva de óbitos da cidade parecia perto de ponto de inflexão para formar o platô e houve a ‘relargada’ no fim de junho. É um quadro parecido como o das outras capitais do Sul”, avalia o professor Giovani Vasconcelos, do Departamento de Física da UFPR, que faz parte da Rede Cooperativa de Pesquisa em Modelagem da Epidemia de Covid-19 e Intervenções não Farmacológicas (Modinterv), criadora do sistema. “É diferente de cidades que estão na mesma situação porque a curva sempre mostrou crescimento, caso de João Pessoa”.

Saturação em fases


Recife e Belém são as únicas capitais já na fase de saturação, ou seja, que atingiram o pico de mortes, o que significa que o gráfico de óbitos tende a formar um platô que aponta regressão da pandemia — a linha reta significa que as mortes pela pandemia pararam de se acumular. As outras 17 capitais se encontram em situação de combate à pandemia (curvas de óbitos em ritmo desacelerado, próximas do ponto de inflexão).

 

 

Gráficos mostram as “relargadas” das três capitais da Região Sul: em Curitiba, por volta do 85º dia depois do primeiro registro de morte; em Porto Alegre, após 95 dias do registro; e Florianópolis, mais tardiamente.

 

Desse último grupo, Maceió é a que parece mais propensa a alcançar a mesma situação das outras duas cidades nordestinas. É preciso cautela, porém, já que a piora do cenário tem se mostrado mais rápida e fácil do que o contrário. “O gráfico da capital alagoana é exemplo de como a situação é dinâmica: no domingo passado, o modelo que prevê saturação ainda não ‘convergia’ para Maceió”, explica Vasconcelos. A instabilidade fica mais clara quando se analisa o motivo pelo qual Maceió ainda não faz parte do mesmo grupo que Recife e Belém: aumentos esporádicos no número de mortes neste fim de julho, que têm adiado a inflexão da curva de óbitos e a formação do platô.