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Caarapó - MS, quinta-feira, 13 de agosto de 2020


Gaeco denuncia conselheiro do TCE e mais 19 pessoas por integrar crime organizado

Gaeco denuncia conselheiro do TCE e mais 19 por integrar organização criminosa

Publicado em: 16/07/2020 às 08h02

Edivaldo Bitencourt

O Gaeco (Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado) denunciou o ex-presidente da Assembleia e conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Jerson Domingos, 70 anos, por integrar organização criminosa. Na denúncia de 450 páginas, protocolada no último dia 6, cinco promotores denunciam o poderosíssimo empresário Fahd Jamil, o “rei da fronteira”, e o filho, Flávio Correia Jamil Georges, o Flavinho, também pelos crimes de corrupção ativa, tráfico de armas de fogo e violação do sigilo funcional.

Entre os 20 denunciados, estão os empresários Jamil Name, 81, e Jamil Name Filho, 42, o policial federal Everaldo Monteiro de Assis e o policial civil Frederico Maldonado Arruda, o Fred. Eles são acusados de integrar duas poderosas organizações criminosas, que seriam responsáveis por várias execuções em Campo Grande e na fronteira com o Paraguai.

Jerson Domingos chegou a ser preso no dia 18 de junho deste ano na Operação Armagedon, denominação da 3ª fase da Omertà. Ele e a gerente da família Name, Cinthya Name Belli, foram soltos por habeas corpus concedido na madrugada do dia seguinte pelo desembargador Vladimir Abreu da Silva, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul.

O ex-deputado estadual por cinco mandatos teria levado Jamil Name Filho para ficar na casa de Fahd Jamil em maio do ano passado, quando o advogado Renê Siufi temia sua prisão e lhe ordenou para “rapa no pé”. Domingos ainda teria levado a irmã, Tereza Name, para ver o filho em Ponta Porã neste período.

Graças a quebra do sigilo, o Gaeco sustenta, com base em análise de conversas com o advogado David Olindo, que Jerson chamava o cunhado de “chefe”. Em seguida, cita reportagem do Fantástico, em 2009, de que o jogo do bicho atuava livremente na Assembleia Legislativa, na época, comandada por Domingos.

Outro ponto é a suposta mensagem enviada por Name, por meio de dois advogados, para o conselheiro e Cinthya Belli executarem o plano para matar o delegado Fábio Peró, do Garras, o promotor Tiago Di Giulio Freire, e um defensor público.

Em outro ponto, os promotores citam o diálogo de Jerson com a irmã, em que Tereza pede para ele intervir na briga entre pai e filho. O Gaeco sustentou ainda que ele passou a acompanhar o processo envolvendo o cunhado e o sobrinho. No entanto, em depoimento aos promotores, o conselheiro negou que procurou Olindo para saber do andamento das ações penais. “Essa questão é jurídica, vocês que resolvam. Não me compete isso”, teria dito aos promotores.

No pedido de habeas corpus, o advogado André Borges enfatizou que o contato do conselheiro do TCE com a família Name ocorria por causa da irmã, a ex-vereadora Tereza Name. Este seria, inclusive, o motivo que o levou a tentar visitar Jamil Name no Presídio Federal de Mossoró (RN).

O Gaeco denunciou Fahd Jamil e o filho, Flavinho, por integrar organização criminosa, tráfico de armas e corrupção ativa. Eles são acusados de comandar o grupo de extermínio na fronteira, que estaria ligado a várias execuções, como do chefe da segurança da Assembleia, Ilson Martins Figueiredo, o ex-segurança de Jorge Rafaat, Orlando Silva Fernandes, o Bomba, de Alberto Aparecido Roberto Nogueira, o Betão, e do policial civil Anderson Celin Gonçalves.

Os dois estão foragidos. É a primeira vez que Fuad Jamil, como é conhecido, é denunciado por tráfico internacional de armas. Ele chegou a ser citado em relatório na época da ditadura militar, mas nunca chegou a ser formalmente investigado pelo crime.

Jamil Name e o filho foram denunciados pela sexta vez. Desta vez, o Gaeco os denunciou por aquisição de armas de fogo e corrupção ativa. O guarda municipal Marcelo Rios foi acusado de quebra do sigilo funcional.

O policial federal Everaldo Monteiro de Assis e o policial civil Frederico Arruda foram denunciados por integrar organização criminosa e corrupção passiva.

A denúncia será analisada pelo juiz Roberto Ferreira Filho, da 1ª Vara Criminal de Campo Grande, que já aceitou a outra apresentada contra o grupo, por corrupção passiva, que inclui o delegado Márcio Obara.