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Caarapó - MS, sábado, 8 de agosto de 2020


Curiosidade e nostalgia marcam a volta do Autocine na UFMS, em Campo Grande

Ontem, domingo aconteceram as duas primeiras sessões, e no clima de nostalgia ou curiosidade, o que menos importou foi o filme.

Publicado em: 29/06/2020 às 07h47

Paula Maciulevicius Brasil

Diante de tantos espectadores, um carro chamava atenção. O Gol branco onde estava seu Armando virou ponto de referência de uma história que volta no tempo. Há mais de 30 anos, era ele quem vinha no banco de trás. O técnico, que assistiu pelo menos quatro filmes no Autocine da UFMS quando criança, voltou esse domingo ao Morenão, agora com a esposa e o filho.

"A Casinha, do Mazaropi, em 1976", recorda Armando Oliveira, de 57 anos. Foi esse o filme que mais marcou o técnico em telecomunicações, assistido junto com o pai e os dois irmãos, aos 14 anos. As lembranças vieram à tona logo que ele cruzou os portões do Morenão, e pouco importava o filme a ser exibido.

Por sorte, ele, a esposa Adriana e o filho Diego conseguiram os últimos ingressos distribuídos na Praça dos Imigrantes na semana anterior. "Era para ser", acredita.  Agora, o próximo passo será trazer os pais.

A nostalgia também trouxe à memória lembranças em quem explica como era o funcionamento. Conhecida pela atuação na Sectur (Secretaria Municipal de Cultura e Turismo), Clarice Benites, de 58 anos, chegava a ver filmes até do pontilhão, quando cursava Educação Física na UFMS.

"Eu vim várias vezes, era tudo muita novidade, ter uma tela deste tamanho, onde você encostava o carro e pegava uma caixinha de som? Cada carro ficava ao lado de uma espécie de guarda-chuva pequeno, onde ficavam duas caixinhas de som para o veículo da direita e da esquerda, aí você pegava e colocava dentro do carro", explica.

Quando a estudante não tinha como pagar a entrada, que era revertida para compra de livros da biblioteca da Universidade, se unia à multidão que ficava no pontilhão. "Era uma fila de gente assistindo, até que vinha o guarda apitar, e a gente sair correndo. Para mim, é uma emoção muito grande, porque eu acho aqui um lugar lindo, sabe? Que não podia se perder", diz.

Próximo à cozinha, de onde saíam as porções para os clientes nos carros, a professora Mirian Coura, se deliciava nas memórias afetivas que o som lhe trouxe. "Quando eu cheguei, em 1984, eu morava bem ali, e ouvia todo o filme. É uma emoção você retornar, é uma memória afetiva que volta atrás, e é incrível hoje você poder estar dentro desse presente com uma coisa do passado. Quando ligou esse som, eu voltei 32 anos atrás".

Claro que o saudosismo pautaria à noite, mas lado a lado com a curiosidade. Dentro do carro, o casal Moacir Muniz, de 26 anos, e a arquiteta Ketlin Loren, de 23 anos, estavam até com câmera fotográfica profissional para fazer o registro histórico da volta. "É bem legal assistir e ver isso funcionando de volta. Eu já acompanhava a saga, porque trabalho aqui", diz o funcionário público Moacir.

Já Ketlin via funcionar uma ideia que ela trouxe para o trabalho de conclusão de curso em 2018. "Meu projeto foi a reforma do Autocine, quando fui fazer a pesquisa conversei com várias pessoas e nossa, como era bacana. Todo mundo dizia que era muito legal, e a gente sempre quis ver isso funcionando", descreve.

Reestreia - Esse domingo foram as duas primeiras sessões da volta do Autocine, depois de 31 anos abandonado. Foram diversos projetos, promessa até de campanha de reitor, para que o espaço voltasse a funcionar.

Em exibição, nas duas sessões - a primeira às 18h e a segunda às 20h - o filme infantil nacional "Eu e meu guarda-chuva". Os veículos eram limitados a 70 para cada sessão. Para entrar, bastava ter o ingresso em mãos, retirado durante a semana na Praça dos Imigrantes, e seguir a fila para aferição de temperatura e receber as orientações.