Mulher que ganhou auxílio emergencial sem ter direito: 'Quero dar risada' - Caarapó Online

Caarapó - MS, sábado, 26 de setembro de 2020


Mulher que ganhou auxílio emergencial sem ter direito: 'Quero dar risada'

Programa de tevê mostra casos de pessoas que receberam o auxílio emergencial de forma irregular. Prejuízos ao Tesouro Nacional podem chegar a R$ 1 bilhão, aponta TCU

Publicado em: 29/06/2020 às 07h16

Correio Braziliense

Relatório feito pelo Tribunal de Contas da União (TCU) aponta que o auxílio emergencial criado para ajudar pessoas de baixa renda durante a pandemia da covid-19 foi pago para 620 mil pessoas que não tinham direito ao benefício. Muitas das pessoas que receberam esse valor indevidamente não agiram de má-fé, mas houve quem se aproveitasse da crise para ganhar dinheiro do governo de forma irregular, afirma reportagem exibida pela televisão, no domingo (28.06).

O programa mostrou o caso de três moradoras de Espumoso (RS) que receberam os R$ 600 sem, aparentemente, ter direito. Uma das mulheres, identificadas pelo programa como a dona de casa Rosângela Melo, aparece em um áudio de celular fazendo piada com o fato de ter recebido o dinheiro. Segundo o programa, ela é dona de um carro de luxo e tem várias fotos de viagens ao exterior postadas nas redes sociais.

Nas gravações atribuídas pelo programa a Rosângela, ouve-se uma voz feminina dizendo: "Acho que eu vou trocar de moto, comprar um carro novo pra mim". Em outro trecho, ela menciona que a filha, Lorraine Marques, também recebeu o benefício: "A Lorraine ganhou já e já gastou o dela, que era R$ 600. Eu quero dar tanta risada".

A terceira moradora de Espumoso (RS) mostrada no programa é a comerciante Ana Brocco, que está com casamento marcado em um resort no Caribe, segundo a reportagem, que exibe uma conversa por telefone entre ela e um dos jornalistas responsáveis pela denúncia. Depois de a comerciante confirmar que recebeu o auxílio emergencial, o repórter pergunta: "Mas você é uma pessoa de posses?". Ana Paula diz que não. O repórter, então, prossegue: "Eu preciso saber se faz muito sentido alguém que tem casamento marcado pra acontecer no Caribe ser enquadrada como uma pessoa de baixa renda". Ao ouvir a indagação, Ana Paula desliga o telefone.

"Fiz para brincar"

O programa mostrou ainda um terceiro suposto caso de recebimento irregular do benefício. Seria o do empresário Divanildo Kloss, dono da vinícola D'Kloss, em Nova Roma do Sul (RS). Procurado pelo programa, Kloss disse que se inscreveu de brincadeira no auxílio emergencial e que não gastou o dinheiro. "Eu não quis receber. Eu devolvi. Só fiz para brincar. Era só para saber se ia passar ou não, entendeu? Jamais ia querer nada", afirmou. Ao ser lembrado que o dinheiro foi depositado em sua conta, ele disse: "Mas eu não saquei. Eu vou devolver".

Segundo os dados que constam no relatório do TCU exibidos pelo mesmo programa, se o repasse do dinheiro destinado às 620 mil pessoas aprovadas irregularmente no programa não for interrompido, o prejuízo para os cofres públicos pode chegar a R$ 1 bilhão.