O que pode mudar nas atitudes em viagens aéreas após o fim da quarentena? - Caarapó Online

Caarapó - MS, quarta-feira, 27 de maio de 2020


O que pode mudar nas atitudes em viagens aéreas após o fim da quarentena?

Mudanças serão mais eficazes mesmo após a pandemia

Publicado em: 17/05/2020 às 06h28

Bruna Aquino

Depois de muitos meses em isolamento social no mundo inteiro, a quarentena está próxima de ser flexibilizada ou encerrada em algumas cidades e países, e com isso turistas de todas as partes do mundo já estão se questionando sobre a próxima viagem: o que vai mudar na rotina das viagens? Quando será seguro viajar? Ou como viajar com segurança no contexto atual, com o vírus ainda circulando e sem uma vacina disponível? Essa fase, entre a flexibilização do confinamento e o fim da pandemia, está sendo chamada de o “novo normal”, em que empresas e pessoas terão que se adaptar a uma rotina de distanciamento social e preocupação adicional com a saúde pós pandemia.

Companhias aéreas, aeroportos, hotéis, restaurantes e empresas de entretenimento, cruzeiros marítimos e de eventos estão se preparando e adaptando rapidamente seus negócios para essa realidade em futuro breve. Mudanças nos procedimentos da aviação comercial para Check-in, embarque e desembarque são momentos em que os passageiros costumam causar aglomerações.

Em boa parte dos aeroportos, sequer há espaço para filas com um distanciamento mínimo entre as pessoas. Já no embarque e no desembarque é uma questão mais cultural, quando a ansiedade para entrar e sair do avião parece tomar a cabeça dos viajantes. Enquanto não houver vacina e o coronavírus circular isso deverá ser ser repensado.

Segundo informações, várias companhias aéreas estão estudando a implantação de barreiras de proteção para os funcionários do check-in, junto com o fornecimento de equipamentos de proteção individual, como luvas e máscaras. Já os aeroportos avaliam como podem organizar melhor o fluxo de passageiros nas áreas onde há risco de aglomeração.

No Brasil, em alguns aeroportos, os totens de autoatendimento foram desativados. Mas poucos contam com sinalização visual do distanciamento social, já que praticamente 95% dos voos nacionais permanecem cancelados. Provavelmente teremos que nos adaptar até a retomada dos voos.

Treinamento e uniforme dos comissários já mudou na KLM. A tripulação passou a usar touca e luvas protetoras. Há equipamento extra a bordo, como desinfetantes e higienizadores para as mãos. A cada voo, um banheiro é mantido livre exclusivamente para a tripulação, para que tenham um lugar para se higienizar e lavar as mãos. A Latam disponibilizou máscaras para a tripulação. Na Emirates (Emirados Árabes), os uniformes ganharam máscaras e visores de proteção, além de um macacão impermeável.

Além disso, a maior parte das empresas aéreas está monitorando de perto a saúde de seus funcionários, que são tirados das escalas se apresentam qualquer sintoma de COVID-19 ou de gripe. Toda essa preocupação faz sentido, já que um comissário com o vírus poderia contaminar seus companheiros de tripulação e dezenas de passageiros em apenas uma viagem.

Limpeza e desinfecção dos aviões

Os aviões possuem um sistema de recirculação que renova o ar do avião a cada 3 minutos, graças aos filtros HEPA (High Efficiency Particulate Air), que removem 99,97% das partículas. No entanto, as superfícies em contato com os passageiros, como mesas de refeição e compartimento de bagagens podem ser vetores de contaminação. Por isso, muitas empresas redefiniram procedimentos de limpeza regulares em toda a cabine. Na Latam isso inclui a limpeza geral em toda a cabine, incluindo caixas, assentos, mesas, banheiros e cozinha. A empresa também está fornecendo álcool gel em todos os seus voos, para passageiros e tripulantes.

Na Azul, durante o processo de limpeza das aeronaves entre os voos, é aplicado um desinfetante aprovado pela Anvisa em todos os locais com que os clientes possam ter contato, como cintos de segurança, mesas, apoios de braços, persianas e bagageiros da cabine. Já a Delta Airlines implementou uma técnica de nebulização com um desinfetante altamente eficaz, semelhante ao usado nos hospitais, portanto seguro para respirar imediatamente após o uso. A partir de maio todas as aeronaves da empresa serão nebulizadas antes de cada voo (hoje o procedimento já é feito diariamente).

No entanto, implantar uma nova rotina de desinfecção das aeronaves a cada etapa de voo (toda vez que o avião pousa ou decola) demanda um tempo maior em solo, o que pode inviabilizar milhares de rotas cuja programação conta com paradas rápidas em alguns aeroportos.

Mudanças no serviço de bordo

Muitas companhias aéreas suspenderam temporariamente o serviço de bordo em voos de curta duração, por razões de segurança. É o caso da GOL, no Brasil, mas também de várias empresas nos Estados Unidos, Europa e Ásia. Outras empresas modificaram as embalagens para reduzir o risco de contágio durante as refeições e minimizar a interação entre comissários e passageiros. É o caso da Emirates, que continua oferecendo alimentos e bebidas, mas em caixas pré-montadas. Além disso, revistas e outros materiais de leitura impressos não estão mais disponíveis.

Restrições a bagagens de mão

Bagagens de mão estão sendo limitadas em alguns voos. Na Emirates e na Air Asia, por exemplo, só estão sendo permitidos na cabine notebook, bolsa, maleta de mão ou itens de bebê. Todos os demais itens precisam ser despachados. No Brasil, ainda não há nenhuma restrição nesse sentido.

Uso obrigatório de máscaras

Algumas companhias aéreas, estão exigindo que os passageiros utilizem máscaras durante os voos. O mesmo ocorre em alguns aeroportos internacionais. De fato, o uso correto de máscaras a bordo e em áreas públicas ajuda a reduzir o risco de contaminação, segundo as autoridades de saúde. Mas precisa ficar claro se o acessório será oferecido pelas empresas ou se terão que ser adquiridos pelos passageiros.