Dólar pode chegar a R$ 6,50 nos próximos dias com tensão política - Caarapó Online

Caarapó - MS, segunda-feira, 25 de maio de 2020


Dólar pode chegar a R$ 6,50 nos próximos dias com tensão política

Com tombo da economia e politização da crise, mercado faz moeda norte-americana disparar a divisa subia 1,09% a R$ 5,93

Publicado em: 13/05/2020 às 15h57

Simone Kafruni

Com os efeitos negativos na economia, da pandemia de coronavírus, somados à tensão política dos desdobramentos da demissão do ex-ministro Sérgio Moro e da revelação do conteúdo da reunião ministerial, o dólar pode chegar a R$ 6,30 no curto prazo, estimam especialistas. Não à toa, o real é a moeda que mais se desvalorizou ante a divisa norte-americana. Para o fim do ano, a expectativa é encerrar 2020 com dólar a R$ 5,90. Às 15h48 desta quarta-feira (13.05), a divisa dos Estados Unidos subia 1,09% a R$ 5,93.

Segundo André Perfeito, economista-chefe da Necton, a moeda norte americana testa novos patamares no pregão de hoje e confirma sua força de alta. O dólar chegou a bater R$ 5,95 na máxima do dia e isso força mais uma revisão de cenário, avaliou.

“O dólar tende a subir por três motivos básicos no curto prazo: a queda dos juros em 2020 -- a Selic (taxa básica) pode chegar a 2,25% já na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central); o fluxo estrangeiro negativo para o mercado de capitais já chega a US$ 61 bilhões negativos; e as tensões políticas, que devem piorar ao longo dos próximos dias”, enumerou André Perfeito.

O gerente de câmbio, Reginaldo Galhardo, da corretora Treviso também acredita numa disparada do dólar. “Pode chegar a R$ 6,50, por conta da queda de juros somada ao vídeo e à quarentena sem fim. A economia está se acabando e o governo está cavando um buraco que vai ter que tapar lá na frente. Não me surpreenderá se aparecer algum imposto emergencial para a gente pagar essa conta”, afirmou.

Ele lembrou que a economia perde R$ 20 bilhões a cada semana com atividades paralisadas. “Quase 600 mil estabelecimentos que literalmente fecharam. A economia está jogada à própria sorte, porque politizaram a crise”, destacou.

Juros no mercado

André Perfeito ressaltou que os cortes da Selic não terão o impacto desejado de incentivar a economia e terão efeito deletério no câmbio. “O fluxo negativo para o Brasil é resultado de uma maior aversão ao risco. O ponto que me preocupa agora é a questão política que deve ganhar fôlego nos próximos dias com uma eventual divulgação da filmagem da reunião ministerial onde o presidente Bolsonaro supostamente pressiona o ex-ministro Sérgio Moro a interferir na Polícia Federal”, disse.


O conjunto sugere pressões adicionais e sinalizamos que o dólar deve testar o patamar de R$ 6,30 (R$ 6,27 para ser exato dentro da análise gráfica de nossa equipe). Isto representa uma alta de aproximadamente 6% ao longo dos próximos dias”, assinalou. A Necton revisou a projeção do fechamento do ano do dólar, de R$ 5,80 para R$ 5,90. “No médio prazo acreditamos que haverá dois motivos que irão segurar a moeda: reservas ainda elevadas e perspectiva de alta de juros em 2021”, justificou.