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Caarapó - MS, segunda-feira, 10 de agosto de 2020


Depoimento de Sergio Moro foi considerado pífio e sem informação nova

Ex-ministro não acusou presidente de crimes e afirmou que ele nunca pediu relatórios sobre investigações

Publicado em: 06/05/2020 às 08h35

Cláudio Humberto

O semblante descontraído do presidente Jair Bolsonaro mal escondia seu alívio, ao retornar no fim da tarde à residência oficial do Palácio Alvorada, após tomar conhecimento de tudo o que o ex-ministro da Justiça Sérgio Moro afirmou à Polícia Federal. A leitura das declarações do ex-juiz da Lava Jato mostrou que, afinal, a montanha pariu um rato. Nem o próprio Moro foi capaz de atribuir fato criminoso ao presidente.


É risível chamar de “interferência” na PF a decisão de trocar o diretor ou dois superintendentes, titulares de cargos de confiança… do presidente.

O ex-ministro diz que pediu as razões para substituições na PF. Cargos são de livre provimento: o presidente não precisa explicar suas escolhas. Sergio Moro disse que agiu para “preservar a autonomia” da PF. Isso soa como música na PF, mas não está na lei. É ainda um sonho na corporação.

O ex-ministro enfatizou em seu depoimento que “não nomeou e não era consultado” sobre o comando das superintendências regionais da PF, o que ficava a cargo exclusivamente de Valeixo. Sobre o que teria motivado o pedido de troca do comando da PF no Rio pelo presidente Bolsonaro, Moro afirmou em depoimento que só o próprio presidente poderia responder sobre isso.

De acordo com o ministro, as pressões de Bolsonaro começaram sobre a Superintendência do Rio de Janeiro, mas depois foram estendidas para a Superintendência de Pernambuco. Moro, no entanto, não falou sobre as possíveis motivações do presidente com as movimentações. Segundo ele, “os motivos da reclamação devem ser indagados ao Presidente da República”.

O ex-juiz da Lava-Jato também ressaltou que todas as indicações feitas às superintendências da PF passavam pelo crivo da Casa Civil e que, em nenhum momento, nomes indicados por Valeixo foram questionados. Segundo Moro, o presidente não tinha o mesmo interesse em mudanças de outras posições na pasta.